Perdeu a linha: Bolsonaro se irrita com internauta que o cobrou sobre preço do gás; “Seja feliz!”

Presidente mandou usuário do Twitter cobrar governadores e respondeu com exclamações

O presidente Jair Bolsonaro ficou irritado, neste domingo (20), ao ser questionado por um internauta sobre as consecutivas altas no preço do gás de cozinha. O usuário do Twitter @sagazluiz comentou em uma postagem do titular do Planalto que tratava de uma apreensão de cocaína feita pela Polícia Federal.

“Eu quero saber qdo vai baixar o preçondo gás de cozinha. Não consumo cocaina, nem cloroquina”, escreveu o internauta.

Bolsonaro, então, respondeu com exclamações, mandando o usuário reclamar com governadores e citando aplicações de doses de vacina no Brasil, tópico que sequer havia sido mencionado.

“Zeramos os impostos federais de gás de cozinha! E ultrapassamos as 110 milhões de doses de vacina distribuídas a estados e municípios de todo país e continuaremos. Creio que não precisamos dizer de quem tem que cobrar, pois certamente já sabe. Um forte abraço e seja feliz sempre!”, disparou, nervoso, Bolsonaro.

O internauta, entretanto, rebateu: “Então R$100 por um botijão de gás está ok? É isso? Cadê o subsídio ao povo humilde? Recusou 57 e-mails da Pfizer e trabalhou em paralelo para importar mais cloroquina. E como resultado batemos 500 mil mortos ontem. Bate na Coronavac e beneficia a Covaxin mais cara. Pq?”.

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Uma outra usuária do Twitter tentou defender o presidente, afirmando que os governadores que estabelecem o preço do gás, mas o internauta prosseguiu: “Preço internacional. Dólar, que Paulo Guedes disse que só fazendo muita merda para chegar a R$5. E outra, ter uma estatal serve para isso. Regular o preço de forma que a população possa consumir. Agora vamos pagar para privatizar a Eletrobras. Vamos pagar para o mercado lucrar”.

Confira.

Reajuste maior que a inflação

O governo federal, por meio da Petrobras, autorizou na última segunda-feira (14) novo aumento no preço do gás de cozinha, que fica 5,9% mais caro.

Segundo a Petrobras, o aumento segue a paridade do preço internacional e acompanha as variações do valor dos produtos e da taxa de câmbio.

Com o reajuste, o gás acumula alta de 17,25% nos últimos 12 meses, quase cinco vezes maior do que a inflação, que foi de 3,5% no mesmo período.

Na prática, o gás fica, em média, R$ 3,40 mais caro a cada quilo e o preço médio no país deve ultrapassar os R$ 100.

Os valores mais recentes divulgados pela Agência Nacional de Saúde (ANS), antes do reajuste desta segunda, mostram uma variação que vai de R$ 104,67 em Macapá (AP) a R$ 75,97 na capital fluminense.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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