Na véspera de prisão, mãe de Henry Borel criou perfil no Instagram para mostrar boa relação com filho

"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", diz descrição da página de Monique Medeiros

Um dia antes de ser presa pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, a professora Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, menino de 4 anos que foi assassinado no dia 8 de março, criou um perfil em uma rede social para “demonstrar a verdade” sobre o caso. Fotos compartilhadas por ela buscam mostrar boa relação com o filho.

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“Perfil criado para demonstrar a verdade e para que a justiça prevaleça sobre especulações”, escreveu Monique na descrição da página, para em seguida citar um versículo da Bíblia muito proferido pelo presidente Jair Bolsonaro: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. João 8:32”.

Todas as postagens da página foram feitas na quarta-feira (7), um dia antes da polícia cumprir os mandados de prisão contra Monique e o namorado, o vereador Dr. Jairinho. As investigações concluíram que Jairinho agredia o enteado com chutes e golpes na cabeça e que Monique sabia disso pelo menos desde fevereiro. O casal também é suspeito de atrapalhar as investigações e de ameaçar testemunhas para combinar versões.

Na primeira publicação do perfil, há uma explicação sobre o objetivo das postagens. “Estamos certos da nossa inocência, confiamos nas autoridades e acreditamos que a Justiça prevalecerá a qualquer especulação oportunista”, dia a legenda.

A página também traz publicações sobre acidentes domésticos, alegando que podem provocar a morte de crianças – a versão do casal era de que Henry faleceu por acidente -, assim como elogios à relação dos dois com o menino. A mãe de Henry também publicou diversas fotos com o filho, com relatos sobre o dia a dia com ele.

“Meu bebê sempre foi muito bem cuidado… Todos os que nos conheciam, sabiam como ele era um menino feliz e muito amado”, escreveu Monique na legenda de uma das postagens.

Reprodução/Instagram

Os laudos da necropsia de Henry apontaram que a causa da morte foi hemorragia interna e laceração hepática (no fígado) causada por uma ação contundente (violenta). O documento cita ainda a presença de edemas, equimoses, contusões e hematomas no corpo de Henry. Foram identificadas lesões no crânio, no fígado, nos pulmões e nos rins, além de uma série de ferimentos externos.

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Luisa Fragão

Jornalista.