Página de Coronel Siqueira é apagada após polêmica sobre morte

Perfil saiu do ar enquanto a viúva do suposto criador da página participava de entrevista com o DCM, que deu a notícia da morte

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A página no Twitter Coronel Siqueira foi apagada na noite desta segunda-feira (29) após polêmica sobre a suposta morte do criador do perfil, Sergio Vicente Liotte, confirmada ao DCM pela esposa Patrícia.

A página, que tinha mais de 175 mil seguidores, saiu do ar enquanto Patrícia participava de uma entrevista ao vivo com o DCM, para provar que o marido, que morreu de pancreatite nesta manhã, aos 48 anos, era realmente o fundador do perfil.

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Entenda a polêmica

Na noite desta segunda-feira (29), o perfil no Twitter Coronel Siqueira, famoso por fazer publicações como se fosse um bolsonarista fervoroso, desmentiu a informação de que um suposto criador da conta teria morrido.

Segundo o DCM, que divulgou a notícia, Sergio Vicente Liotte morreu de pancreatite nesta manhã, aos 48 anos, e seria o criador do perfil. O site conversou com a esposa de Liotte, Patrícia, que explicou que o perfil está ativo porque o marido abriu a página para que outras pessoas publicassem suas tiradas.

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“Quem está postando mais é um pessoal de Porto Alegre. Eu estou com pouco tempo. Estou com minha mãe internada, caso grave”, afirmou Patrícia ao DCM.

De acordo com ela, o marido queria ficar no anonimato, “mas chegou a hora de mostrar quem ele era e fazer essa homenagem”. Diretor de redação do DCM, Kiko Nogueira disse à Revista Fórum que as informações estão corretas e mostrou áudios e prints enviados pela esposa.

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A Fórum também entrou em contato com o cemitério Jardim Avelino, na Caetano Pimentel do Vabo, em São Paulo, e confirmou que um homem chamado Sergio Vicente Liotte será velado nesta terça-feira (30), das 10h às 13h.

Alguns minutos depois da publicação do DCM, porém, a página Coronel Siqueira veio a público afirmar que a informação é inverídica e garantir que o criador ainda está vivo. “Gente, que barrigada do DCM foi essa?”, questionou o perfil, que deu a entender, ainda, que não teria nenhuma esposa.

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Em áudio enviado ao DCM, ao qual a Fórum teve acesso, Patrícia explicou que existiam vários colaboradores de vários locais diferentes. No entanto, em troca de mensagens com a Fórum através do Twitter, a página disse que há apenas um administrador desde dezembro de 2019, quando foi criado o perfil.

“Criei o perfil em dezembro de 2019 e comecei a usar acho que em maio do ano passado, logo depois do começo da pandemia. Sempre fui o único administrador da página, e não tenho a menor ideia de porque o DCM resolveu postar aquilo”, respondeu.

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O responsável pelo perfil afirmou, ainda, que não conhece nenhuma pessoa chamada Sergio Vicente Liotte. “Eu estava no Twitter quando vi essa treta toda, do nada. Um monte de gente me escreveu e me ligou preocupada e triste, inclusive minha mãe e outros familiares”, escreveu.

Se identificando como a filha de Sergio Liotte, um perfil chamado Jess confirmou que ele faleceu nesta manhã e que seria o criador da página. A Fórum entrou em contato com a página, mas não obteve retorno.

“Ele abriu essa página para que algumas pessoas pudessem postar também, não sei porque estão fazendo essa palhaçada, afinal, a página é dele sim! Espero que possam dar o devido reconhecimento!”, disse. Segundo apuração da Fórum, um homem com este nome teria, realmente, uma filha chamada Jessica e uma esposa Patrícia.

Ao DCM, a viúva de Liotte disse que o rosto do personagem seria de um tio, morto em 2018. “O rosto do Siqueira era o do meu tio, comunista doente, falecido em 2018 quando essa Bozo já tinha sido eleito. Tributo a um assistente social que trabalhou por 40 anos em creches municipais de SP”.

Porém, segundo a Carta Capital, veículo em que Coronel Siqueira publicava textos, o rosto da foto foi gerado no This Person Does Not Exist, um site que, como o nome já diz, gera rostos humanos que não existem por meio de inteligência artificial.

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Carolina Fortes

Repórter colaborativa no site Emerge Mag e antiga editora-assistente no site da Jovem Pan. Ex-repórter no site Elástica. Formada em jornalismo e faz a segunda graduação em Letras na Universidade de São Paulo (USP). Acredita no jornalismo como forma de impacto social e defende maior inclusão e representatividade.