Após pressão, Twitter suspende conta de Véio da Havan; Malafaia segue na ativa

O perfil do empresário Luciano Hang apareceu suspenso nesta quarta-feira

Após uma série de críticas à inércia do Twitter diante do negacionismo propagado na rede social, a conta do empresário Luciano Hang, o “Véio da Havan”, apareceu suspensa na plataforma nesta quarta-feira (12).

O perfil @LucianoHangBr, que possuía um selo de verificação de autenticidade, agora aparece suspenso. “Conta suspensa. O Twitter suspende as contas que violam as Regras do Twitter”, diz mensagem exposta no perfil.

Não é a primeira vez que o empresário tem conta suspensa na rede social. Na última vez, a derrubada do perfil foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em inquérito sobre fake news.

O pastor Silas Malafaia, no entanto, segue com sua conta ativa. A hashtag #DerrubaMalafaia foi para a lista de assuntos mais comentados do Twitter no Brasil após o bolsonarista chamar a vacinação contra a Covid-19 em crianças de “infanticídio”. A plataforma apenas removeu algumas postagens do bispo.

Campanha contra Fake News no Twitter

Desde a última semana, usuários do Twitter se mobilizam em uma campanha para cobrar que a direção da plataforma coloque em execução no Brasil ferramenta que filtra informações falsas e negacionistas. Para isso, foi difundida a hashtag #TwitterApoiaFakeNews,

Um dos motivos que serviu para mobilizar a ação em rede foi o fato de a plataforma não disponibilizar para o Brasil ferramenta para denunciar publicações com informações falsas sobre a pandemia, Covid-19 e vacinas.

Outro problema apontado na ação é a forma como o Twitter tem concedido o selo de verificação a perfis. Os usuários têm criticado o fato de que a plataforma concedeu tal validação para perfis que disseminam fake news nas redes, entre eles, Bárbara Destefani, que é militante anti-vacina.

Em entrevista à Fórum na última semana, o analista de dados Antônio Arles destacou que o Twitter tem acesso aos dados de usuários e que poderia exercer um melhor controle sobre as desinformações que circulam na plataforma. “O Twitter, melhor que ninguém, tem como coibir e minorar a desinformação na Plataforma. E, se alega que não tem, tem que sofrer as consequências disto para não deixar a sociedade pagar sozinha pelos efeitos danosos do seu negócio”, disse Arles ao jornalista Marcelo Hailer.

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global