Milos Morpha

por Cesar Castanha

17 de maio de 2012, 19h50

Relembrando Vida de Inseto

Em 1995, Toy Story chegou aos cinemas firmando a aliança Disney/Pixar. No decorrer destes dezessete anos foram lançados mais onze longas-metragens de animação (além de um bom bocado de curtas). Com exceção do caça níquel Carros 2, todos alcançaram sucesso de público e crítica. Mas foi ainda em 1998 que estreou “Vida de Inseto”, o segundo longa desta união. Na época, a perfeita antropomorfizarão de objetos ou animais presente em quase todos os filmes Pixar ainda era uma fresca e encantadora novidade.
 É justamente o tipo de animação que reafirma o seu gênero. Nenhum live-action seria capaz de nos fazer mergulhar neste submundo artrópode e associá-lo à nossa realidade com tanta maestria. O enredo é simples. Flik é o cientista maluco do seu formigueiro que inventa uma forma revolucionária de colher grãos e decide testar no mesmo dia em que os exploradores gafanhotos chegariam para recolher sua comida. Obviamente tudo dá errado e Hopper (líder dos gafanhotos), ao não encontrar seus grãos, ameaça à rainha da colônia e sua filha, jurando voltar em relativo pouco tempo para recolher “o dobro”. Então Flik peita diante dos líderes do formigueiro (parece ser um governo parlamentar, a rainha não participa das decisões) pelo consentimento de sair da colônia e ir até a “cidade” procurar por insetos que possam defendê-los e pôr fim a tantos anos de exploração. Formigas do mundo todo, uni-vos.
O mais legal aqui são as hilárias referências ao mundo humano. É a folha que cai e atrapalha a fila dos operários e deixa “centímetros” (!!!) de espaço desperdiçado, mas “não se compara ao incidente de 93”. É a recriação de Nova York. Onde há insetos sem-teto pedindo esmolas porque “algumas crianças arrancaram suas asas” ou vagalumes que voam em transe em direção à luz (e à morte). Outro importante detalhe é a associação da classe operária contra os patrões exploradores que em troca lhes garante “segurança”, algo que remete um pouco à “Revolução dos Bichos”.
Vida de Inseto foi muito comparado com “FormiguinhaZ” na época de seu lançamento. O segundo tem de fato um texto mais adulto (não confundir com mais inteligente, associação frequentemente feita e sempre errônea), porém falta o envolvimento com a trama do filme da Pixar. Este é mais um acerto tanto técnico (a chuva no formigueiro parece um bombardeamento fatal de água) quanto de roteiro (nenhum outro estúdio seria capaz de escrever a cena do teatrinho escolar, NENHUM) para a coleção Disney/Pixar. E espero que assim continue por muitos anos. 

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