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04 de julho de 2017, 14h36

Remoção da Favela do Moinho deve ser debatida

Se os governos estadual (Alckmin) e municipal (Doria) quisessem mesmo resolver a questão, agiriam com ações de saúde, assistência social, trabalho, renda e combate aos grandes traficantes Por Luiz Henrique Dias* O Prefeito João Doria diz ser uma prioridade “acabar” com a chamada cracolândia: região próxima à Estação Júlio Prestes onde, há poucas semanas ocorreu uma ação desastrosa da PM e da Polícia Civil, comandadas por Geraldo Alckmin e da GCM, sob tutela da Prefeitura. Sem planejamento adequado do Poder Público para o pós dispersão, os usuários se espalharam por mais de vinte pontos da cidade e a Praça Princesa Isabel, localizada a apenas 400...

Se os governos estadual (Alckmin) e municipal (Doria) quisessem mesmo resolver a questão, agiriam com ações de saúde, assistência social, trabalho, renda e combate aos grandes traficantes

Por Luiz Henrique Dias*

O Prefeito João Doria diz ser uma prioridade “acabar” com a chamada cracolândia: região próxima à Estação Júlio Prestes onde, há poucas semanas ocorreu uma ação desastrosa da PM e da Polícia Civil, comandadas por Geraldo Alckmin e da GCM, sob tutela da Prefeitura.

Sem planejamento adequado do Poder Público para o pós dispersão, os usuários se espalharam por mais de vinte pontos da cidade e a Praça Princesa Isabel, localizada a apenas 400 metros do antigo “fluxo” foi ocupada por mais de 900 dependentes químicos e – novamente – por traficantes.

Alguns dias depois, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) – segundo matéria do Jornal Folha de São Paulo – ordenou que o fluxo voltasse à região original, onde se encontra agora.

Um dia após ao movimento dos usuários, a Polícia Militar realizou uma operação no local para “inibir o tráfico” e, depois de uma perseguição até a Favela do Moinho – 1 km da cracolândia – matou um jovem de 19 anos.

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A PM alega ter respondido a uma troca de tiros.

Os moradores dizem que o jovem era apenas usuário e foi morto na fulga. O episódio ainda está sendo investigado.

Na ocasião, centenas de moradores protestaram contra a operação policial e houve confronto. Eu mesmo estive no local durante os momentos mais tensos entre policiais e moradores.

A proposta em elaboração pela Prefeitura para retirada dos moradores ainda não é clara. É preciso definir um local adequado para um conjunto de interesse social, que atenda a demanda por moradia e não ofereça um movimento reverso, quando o morador retorna às moradias precárias.

É preciso entender, de forma humana, o fato de a maior parte dos moradores não tem envolvimento com o crime organizado, principalmente com o tráfico.

Ainda, perceber ser a maior parte da população formada de trabalhadores formais e informais da região, sendo um deslocamento pra programas habitacionais distantes sinônimo de perda dos empregos, dos trabalhos e dos vínculos.

Ainda, entender haver ali crianças, inseridas nas escolas da região e jovens ligados a programas de esporte e cultura nos equipamentos da área central.

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O argumento de Doria e Alckmin para retirada da Favela do Moinho é ser ali um ponto de abastecimento de drogas para a cracolândia, mas é importante compreender que o uso de crack ou outras drogas não vai acabar porque famílias foram deslocadas, pois o tráfico sempre encontra um método. Se os governos estadual e municipal quisessem mesmo resolver a questão, agiriam com ações de saúde, assistência social, trabalho, renda e combate aos grandes traficantes.

Foto: Luiz Henrique Dias

* Luiz Henrique Dias é Escritor e Gestor Público

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