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20 de outubro de 2011, 14h13

Como está, não dá

Editorial

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A capa desta edição da Fórum faz referência à cartilha Caminho Suave, clássico material didático utilizado por décadas para a alfabetização de jovens e adultos. Nela, o processo de apreensão do universo das palavras dava-se pela associação de letras com desenhos. O b, com barriga; g, com gato; z, zabumba etc.

Símbolo de uma época onde se acreditava que o aluno aprendia a multiplicar copiando repetidas vezes tabuadas e que disciplina se obtinha com joelho no milho e palmatória, ela demorou mais do que devia para ser substituída. Ao todo, calcula-se que vendeu 40 milhões de exemplares e fez parte da história da grande maioria dos brasileiros vivos com mais de 30 anos.

A oposição de alguns setores ao projeto de reforma universitária, em certa medida, soa como aquela que há algum tempo alguns educadores, mães e pais de educandos faziam em relação à substituição da antiga cartilha por novos métodos. É evidente que há o que se aperfeiçoar no anteprojeto dessa reforma, mas ao fazer oposição total a ele, os setores que têm críticas relevantes e importantes para o seu aperfeiçoamento, no sentido de ampliar o projeto democrático e inclusivo para o segmento universitário, acabam, sem querer, tornando-se sócios dos que são contra qualquer mudança por interesses econômicos e comerciais.

Há momentos em que se define a posição até por antagonismo. É o caso de se perguntar: por que tamanho consenso contra a reforma entre os donos da educação privada? Será que estão de fato preocupados com a autonomia universitária? Ou lutam para manter a autonomia dos seus lucros? A verdade é que o caminho atual, com o perdão do trocadilho, está por demais suave para quem trata a educação como mercadoria. Por isso, não ao como está. O caminho para a mudança pode ser duro, difícil e desgastante, mas precisa ser construído e trilhado.


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