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21 de outubro de 2011, 18h24

Por uma outra São Paulo

Construir uma metrópole justa e sustentável é o que pretende o Movimento Nossa São Paulo: Outra Cidade. Para isso, instituições públicas e privadas, lideranças comunitárias e entidades da sociedade civil estão se articulando para transformar da maior cidade do Brasil

Por Brunna Rosa

 

Os objetivos são ambiciosos: mudar o processo político brasileiro, avançar na democracia participativa e diminuir a desigualdade social e regional. A cidade escolhida como marco faz com que a proposta seja ainda mais desafiadora: São Paulo. As condições objetivas são mais um agravante a qualquer tipo de iniciativa, afinal, a capital paulista vive um cotidiano de corrupção, falta de políticas públicas, descrédito na política e nos políticos e a desigualdade que salta aos olhos.
E é essa realidade que o Movimento Nossa São Paulo: Outra Cidade pretende enfrentar. “São Paulo tem sofrido ao longo dos anos as conseqüências de um crescimento acelerado, desordenado e muitas vezes predatório, dentro do contexto de uma globalização econômica perturbadora”, descreve o manifesto de lançamento. “Os problemas sociais, o desemprego e o emprego precário, o aumento de favelas e a moradia precária de muitos paulistanos, a exclusão e a desigualdade social, têm levado nossa juventude à violência e a nossa sociedade ao ceticismo e à desesperança de um futuro melhor, a atitudes individualistas e defensivas, ao medo, resultando em descrença nas políticas públicas e na democracia”, continua.
Lançado em maio de 2007, o movimento conta com cerca de 400 organizações da sociedade civil e surge em um momento de profundo desencanto com o processo político brasileiro. “Nossa responsabilidade é enorme. Escolhemos São Paulo, a maior cidade do país, para dar uma outra referência ao país, para ser exemplar”, anunciou Oded Grajew, um dos idealizadores do Fórum Social Mundial, membro do Movimento Nossa São Paulo e integrante do conselho editorial da Fórum.
Grajew costuma se divertir quando conta as inúmeras comparações e teses especulativas a respeito dos propósitos do movimento. “Alguns falam que o Movimento Nossa São Paulo tem um monte de empresas. Então estaria a serviço de um monte de empresas. Agora, estamos falando de justiça social, desigualdade e no dia 26 de janeiro e participamos do dia de Mobilização e Ação Global, do Fórum Social Mundial. Dizem: ah, agora entendi, é um movimento contra empresas”. E rechaça: “É como se no Brasil não fosse possível um grupo se juntar e trabalhar pelo bem comum, pela justiça social, por uma vida melhor para si e para as gerações futuras, é como se isso fosse inacreditável e tivesse algo atrás disso”.

Os quatro eixos
Para começar a colocar em prática todas as mudanças propostas, o Nossa São Paulo pensou e estruturou quatro eixos para basear sua atuação: programa de indicadores e metas, acompanhamento cidadão, educação cidadã e mobilização cidadã. São iniciativas do movimento, que pretende reunir idéias e propor ações que possam contribuir para o desenvolvimento da cidade em áreas essenciais como educação, meio ambiente, segurança, cultura, trabalho, transporte, moradia e saúde.
“Esperamos que, a partir dessas informações, o debate político, os programas eleitorais, a gestão pública, as iniciativas e as ações da sociedade, o acompanhamento e a evolução das políticas públicas sejam pautados por indicadores que permitam o estabelecimento de metas e uma avaliação objetiva dos resultados alcançados ao longo dos anos e ao longo e no final de cada mandato”, detalha Grajew.
Como passo primordial, o movimento sistematizou os indicadores sociais da cidade, o que originou o Observatório Cidadão. Segundo Maurício Broinizi, secretário-executivo do movimento, apenas oito dos 31 órgãos municipais tornam públicos os gastos mensais. A exigência está na lei municipal nº 13.949/05 de Transparência Orçamentária. Para fomentar a democracia participativa, foi criado o I Fórum Nossa São Paulo – Propostas para uma Cidade Justa e Sustentável.
“O objetivo é estimular as propostas para os principais desafios sociais, econômicos, políticos, ambientais e urbanos de São Paulo”, explicou o padre Jaime Crowe, ativista do Fórum de Defesa a Vida, convidando a população paulistana a participar dos encontros que já estão acontecendo em vários pontos da cidade e a sugerir e realizar novos grupos de discussão. As plenárias finais do I Fórum acontecem nos dias 15 e 18 de maio, quando os grupos apresentam as propostas para a cidade, bairro ou região.

Bogotá O Movimento Nossa São Paulo se inspira em experiências realizadas em cidades como Bogotá e Barcelona. Especificamente na capital colombiana, há 15 anos, o Bogotá Como Vamos iniciou um processo de orçamento público acompanhado pela sociedade, além da construção das políticas públicas focadas nas necessidades do local.
Grajew explica o modelo. “O prefeito tem que apresentar um plano detalhadíssimo para cada área. Depois de eleito, ele precisa colocar em marcha, e até tem possibilidade de impeachment caso ele não o execute. A sociedade acompanha, as políticas boas têm continuidade, os administradores públicos são de primeira, sem parente, sem gente do partido”.
Inspirado nesta iniciativa, o Nossa São Paulo já é um multiplicador, e outras mobilizações parecidas começam a surgir no Brasil. Propostas já existem em Belém, Rio de Janeiro, Teresópolis, Belo Horizonte e Ilhabela, mas como avalia Grajew: “Este é ano eleitoral, uma prova de fogo, porque é agora que as coisas se acirram. Todos estamos comprometidos e acreditamos que é possível sim a sociedade civil se organizar em torno de ideais e de projetos para combater a desigualdade e lutar por uma causa comum”. F

O paulistano opina
A pesquisa “Viver em São Paulo”, realizada pelo Movimento Nossa São Paulo-Ibope, divulgado no dia 24, de janeiro, na véspera do aniversário da capital paulista, entrevistou 1.512 pessoas no mês de janeiro deste ano acerca de 200 itens. A pesquisa revela a insatisfação do paulistano, por exemplo, pela percepção de que os investimentos públicos são voltados “para a população rica”, avaliação de 77% dos entrevistados. Para 74%, há pouca eficiência nas instituições públicas na cidade. Os entrevistados elegeram, também, as instituições que mais lhe passam confiança: o corpo de bombeiros ficou com 95%, seguido do Correios com 91%. Em contraponto, as instituições com menos confiabilidade são a Câmara Municipal de São Paulo, com apenas 27%, e o Tribunal de Contas do Município, com 30%.
O Ibope ouviu os paulistanos sobre como é viver na cidade. Metade acha que é um lugar “bom” para se morar, e apenas 5% classificam como “péssimo”. Mesmo assim, 55% dos paulistanos afirmaram que se tivessem condições sairiam de São Paulo.


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