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09 de fevereiro de 2012, 08h44

Uma multidão na luta pela igualdade

Parada Gay paulista, uma das maiores manifestações de massa do planeta, reúne 3,4 milhões de pessoas que buscam o respeito à diversidade

Por Brunna Rosa

 

Fazia sol no domingo, 25 de maio, em São Paulo. E a capital tornou-se novamente palco de uma das maiores manifestações do mundo: a Parada do Orgulho GLBT, em sua décima segunda edição. “Homofobia mata. Por um Estado laico de fato e de verdade. Daquilo que nos fez humanos, tudo foi diversidade. Somos tão diferentes e somos tão iguais”, foi ao som do jingle GLBTema e muita música eletrônica que os 23 trios elétricos animaram a multidão que tomou a avenida Paulista. Em pauta, a defesa da aprovação do Projeto de Lei 122/2006, que criminaliza a homofobia, e a defesa do “Estado laico de fato”.
De acordo com a organização, 3,4 milhões de pessoas ocuparam a região da avenida Paulista e da rua da Consolação. Cada um a seu modo demonstrava seus anseios por justiça e igualdade, mas também era dia de festa. Uma forma bem-humorada de reivindicar direitos abafados pelos resquícios de um Estado autoritário e pela árdua batalha pela aceitação da diversidade em nosso país, fatos lembrados pela Associação da Parada, ao abrir o evento e citar as grandes cifras que rondam o turismo “rosa”.
“São R$ 169 milhões aportados na cidade com a realização do mês de orgulho GLBT. O investimento da organização foi de R$ 1 milhão. Temos então R$ 169 de retorno para cada real investido”, sustenta o coordenador geral da Parada 2008, Manoel Zanini. “Existe algum investimento que tem esse retorno todo?”, questiona.

Que problema você tem?
Com 100% da rede hoteleira ocupada, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciava orgulhoso que a Parada fazia parte de um dos eventos mais importantes (e rentáveis) da cidade. A São Paulo Turismo informou que esta edição trouxe cerca de 327 mil turistas à capital paulista, perdendo apenas em número de visitantes para a Virada Cultural. Do total anunciado, 5% vêm de outros países e 95% são brasileiros vindos de todas as partes.
“Embora com toda essa importância econômica, como apontam o turismo e comércio, ainda percebemos neste país que isto não tem sido suficiente para que a tolerância prevaleça e para que a sociedade tenha respeito a toda e qualquer diferença, principalmente as diferenças sexuais”, argumentou a senadora Fátima Cleide (PT-RO), relatora do projeto 122/06, que criminaliza a homofobia. “Os números citados, da economia e do turismo, não são suficientes para que possamos afirmar que haja tolerância no país e muitos menos que se possa assegurar direitos, até porque a população GLBT – segundo as poucas pesquisas que existem –, são 10% da população, e a maioria é muito pobre e sofre pela sexualidade e pela sua condição de pobreza”, disse, conclamando o apoio de São Paulo para a aprovação do projeto que criminaliza a homofobia. “
Segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2007 foram assassinados 122 homossexuais no Brasil, 30% a mais do que no ano anterior. Um assassinato a cada três dias. Porém o levantamento realizado pela entidade deve mostrar números ainda maiores, uma vez que quatro estados, Rio Grande do Sul, Amapá, Rondônia e Roraima, não apresentam dados sobre assassinatos. Somente nos três primeiros meses de 2008 foram registrados 45 homicídios de gays no país. “Este ano a violência homofóbica está ainda mais preocupante”, atesta Luiz Mott, responsável pela coleta de dados e presidente da GGB. “Enquanto nos Estados Unidos são mortos 25 gays por ano, 35 no México, no Brasil anualmente são assassinados mais de uma centena. Um verdadeiro ‘homocausto’”, denuncia o ativista. F


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