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27 de junho de 2012, 13h19

“A democracia depende de um modelo sindical forte”

Para Bob King, presidente de um dos maiores sindicatos da América do Norte, toda a sociedade perde com sindicatos fragilizados

Para Bob King, presidente de um dos maiores sindicatos da América do Norte, toda a sociedade perde com sindicatos fragilizados

Por Adriana Delorenzo e Glauco Faria

Em visita ao Brasil, onde se reuniu com dirigentes da CUT, Bob King, presidente da International Union United Automobile, Aerospace and Agricultural Implement Workers of America (UAW), destacou a necessidade de elevar as taxas de sindicalização dos trabalhadores de todos os países. Nos Estados Unidos, o índice de sindicalizados vem caindo, acompanhado pela perda de direitos em geral, não só dos relacionados ao trabalho. Para King, a sociedade como um todo perde quando os sindicatos se enfraquecem.

Fórum – Primeiramente, o senhor poderia falar um pouco sobre a sua visita ao Brasil?
Bob King – Ela faz parte de um esforço amplo de reenergizar o ambiente global, o nosso sindicato tem um histórico muito forte nesse sentido. Um dos presidentes mais importantes da nossa história, Walter Ruther, nas décadas de 1960 e 1970, sempre acreditou nesse trabalho, sempre apoiou a construção sindical global. Depois da Segunda Guerra Mundial, nosso sindicato já trabalhava, no Japão e na Alemanha, com essa ideia de ajudar os trabalhadores de outros países a se levantarem. Deixamos esse trabalho um pouco de lado, e achamos que foi um erro. Acreditamos cada vez mais na possibilidade de elevar o pobre à condição de uma classe média global. E o direito à sindicalização é uma parte-chave disso. Nos EUA, na década de 1950, a taxa geral de sindicalização chegava a 35%. Hoje, chega a 7%. É interessante observar como, à medida que cai a taxa de sindicalização, o salário médio do trabalhador também cai, em termos reais, assim como seu acesso ao seguro saúde e à aposentadoria, que são coisas que lá [nos Estados Unidos] o Estado provê muito pouco. E até num sentido mais amplo como, por exemplo, a qualidade da educação pública vai declinando, assim como a capacidade de uma família de trabalhador mandar um ..ilho para a universidade também diminui. Uma série de indicadores socioeconômicos se deteriora em paralelo à redução da taxa geral de sindicalização.

Fórum – Quais os fatores que levaram a essa queda na sindicalização?

Bob King – Houve uma tentativa exitosa das corporações, da direita política, de reduzir o poder sindical e reduzir o custo do trabalho,
com o deslocamento da produção, para poder achatar salários. É comum o deslocamento de produção, seja do Norte para o Sul dos Estados
Unidos [que têm regras que di..icultam muito a sindicalização], seja para outros países, como México, ou países da Ásia. E os sindicatos
industriais sempre foram a base do movimento sindical. Se você consegue enfraquecer justamente os sindicatos industriais enfraquece
todo o movimento sindical. Há ainda táticas de terrorismo psicológico, como submeter as pessoas a demissões, processos disciplinares,
segregar os trabalhadores mais pró-sindicato dos outros, dentro da fábrica, ameaçar fechamento. A lei trabalhista nos EUA também é nacional, como no Brasil, mas é muito mal-aplicada, os mecanismos de fiscalização são muito fracos e realmente não honraram de nenhuma maneira os trabalhadores em suas tentativas de se organizar.

Fórum – Durante o governo Obama houve um diálogo melhor em relação aos avanços da área sindical e trabalhista?

Bob King – O diálogo se tornou melhor, mas na verdade isso conta pouco, diante do poder do capital e das corporações. Haja vista uma
recente decisão da Suprema Corte, que mudou as regras permitindo às corporações doarem quantias ilimitadas, sem a obrigação de registrar
as doações para campanha, tanto de pessoa


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