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18 de outubro de 2012, 14h11

Feira de cooperativismo tem público histórico e destaca “outra economia que acontece”

Um número recorde de 170 mil pessoas esteve na 19ª Feira Estadual do Cooperativismo (Feicoop), realizada juntamente com a 8ª Feira de Economia Solidária do Mercosul, entre 13 e 15 de julho, em Santa Maria (RS). O evento é organizado pelo Projeto Esperança/Coesperança e tem como proposta articular e congregar experiências de economia popular solidária nos meios urbano e rural e na prestação de serviços, desenvolvimento solidário, sustentável e territorial, comércio justo e consumo ético, com a perspectiva de “outra economia que acontece”.

Em entrevista à Fórum, a irmã Lourdes Dill, coordenadora do Projeto Esperança/Coesperança, explica a trajetória do evento, fala sobre as relações da economia solidária com os diversos atores da sociedade e destaca a importância do setor na criação de politicas públicas.

Fórum – Como e quando se iniciou a ideia da Feicoop?
Irmã Lourdes Dill – A Feicoop iniciou-se em 1º de julho de 1994, por meio de uma ideia de ampliar a comercialização dos produtos de economia solidária e fortalecer a integração em rede dos empreendimentos solidários.

Fórum – Qual o eixo principal do projeto?
Dill – O eixo principal do projeto é a solidariedade. O slogan é: “A Transformação pela Solidariedade”, por meio da organização, formação, interação, sustentabilidade e do comércio justo, consumo ético e solidário.

Fórum – Por que Santa Maria? Qual a ligação histórica com a cidade?
Dill – Santa Maria fica no coração do Rio Grande do Sul, distante quatro horas de Porto Alegre. Muito da economia solidária devemos, nos primórdios, a dom Ivo Lorscheiter (falecido em 2007), que ficou à frente da Diocese de Santa Maria por 30 anos e nos deixou um grande legado. A economia solidária teve origem com ele e um grupo que construiu o Projeto Esperança/Coesperança, com participação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e outras parcerias.

Fórum – Em relação à primeira edição, quais os avanços?
Dill – Só olhando as planilhas do evento dá para perceber que os avanços são enormes. É fantástico. A parceria, qualificação, abrangência e participação são indispensáveis. É muito valioso o processo de participação que se construiu ao longo da história.

Fórum – No contexto internacional, o que eventos como a Feicoop propiciam?
Dill – Os eventos internacionais propiciam, a cada ano, um Seminário de Integração do Mercosul Solidário, além da articulação com os parceiros e redes de economia solidária da América Latina e de outros continentes.

Fórum – Como se dá a relação com o poder público? O apoio existe? É essencial?
Dill – A relação com o poder público existe, mas precisa crescer muito nos três níveis: municipal, estadual e federal. Uma cidade organizar um evento dessa envergadura representa muito, e a cidade fica conhecida no mundo inteiro.

Fórum – Dependendo do grupo político que estiver na administração pública, há mais apoio?
Dill – Sim, dependendo do partido que está no poder, há mais apoio. Os governos apoiam e fortalecem parcerias, mas depende muito da importância e da compreensão que eles estabelecem para apoiar mais ou menos. O evento não é do governo, é da sociedade civil. O governo é apoiador e parceiro.

Fórum – E os movimentos sociais e outras formas de organização da sociedade, o quanto eles são importantes para o projeto de vocês?
Dill – Os movimentos sociais, pastorais, organizações e entidades são parceiros e apoiadores de primeira hora. Muitas atividades são construídas de forma interativa com eles.

Fórum – E a população em geral? Como se comporta em relação ao projeto?
Dill – A população de Santa Maria e região é muito parceira. É um público cativo, de todos os sábados, pois há 20 anos temos o Feirão Colonial, que, a cada edição, leva ao Centro de Referência de Economia Solidária novos consumidores, que se tornam multiplicadores. Eles assimilam o conteúdo de economia solidária e ajudam a construir a prática. São parte dos 25 anos do Projeto Esperança/Coesperança.

Fórum – Pode fazer uma análise resumida da Feicoop deste ano? Os produtores, produtos, público, de onde saíram, quem são?
Dill – A 19ª Feicoop e a 8ª Feira de Ecosol de 2012 foram as maiores de todos os tempos, com um público recorde de 170 mil pessoas. Gente que veio de Santa Maria e região, mas também de 27 estados brasileiros, 15 países e quatro continentes. São agricultores familiares, artesãos, movimentos sociais, quilombolas, povos indígenas, catadores, trabalhadores das agroindústrias familiares e alimentação.

Fórum – Como a senhora analisa o papel da economia solidária no contexto econômico de hoje?
Dill – O papel da economia solidária, no contexto econômico de hoje, é fundamental para fortalecer o modelo de desenvolvimento solidário, sustentável e territorial. Já podemos afirmar que a economia solidária contribui significativamente para o futuro do planeta. A Ecosol está ligada ao futuro da humanidade. Para ter condições mais humanas e solidárias de sobreviver levando em conta a partilha, a autogestão, a sustentabilidade e a solidariedade, pautadas na mística cristã, assim como os valores éticos e inegociáveis de uma sociedade justa, fraterna e igualitária, onde outro mundo é possível. Há outra economia que já acontece.

Fórum – E no contexto político? De que forma a Ecosol contribui na luta pelo equilíbrio socioeconômico?
Dill – No contexto político, a Ecosol contribui significativamente na formação de políticas públicas, na reinvenção da economia, na organização do trabalho e renda, na formação de sujeitos para o exercício de economia, na urgência de termos políticas públicas para uma nova ordem econômica que leva em conta o ser humano acima do capital, a vida acima do lucro e a partilha acima da concentração de renda. F


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