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20 de fevereiro de 2018, 19h46

Rio, uma cidade sitiada

Não será aquiescendo aos militares carta branca para matar e invadir residências, ao arrepio dos direitos fundamentais, que se acabará com a violência. Não será promovendo uma carnificina generalizada, à custa de vidas inocentes, que se extinguirá com o tráfico e o crime organizado.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Artigo de autoria de André Ladeia*   É muito triste ver a cidade em que nascemos sitiada. Todos que moram ou já moraram no Rio conhecem de perto a realidade da violência na capital. Muito provavelmente foram acometidos – ou conhecem alguém que já o tenha sido – de algum tipo de violência. É muito triste percebermos a apoplexia institucional em que o Estado se encontra. A corrupção e a inação governamental acabaram com a cidade. E não será o exército, que sequer é treinado para lidar com situações dessa natureza, que resolverá o problema. Talvez, num primeiro momento, a...

Artigo de autoria de André Ladeia*

 

É muito triste ver a cidade em que nascemos sitiada. Todos que moram ou já moraram no Rio conhecem de perto a realidade da violência na capital. Muito provavelmente foram acometidos – ou conhecem alguém que já o tenha sido – de algum tipo de violência.

É muito triste percebermos a apoplexia institucional em que o Estado se encontra. A corrupção e a inação governamental acabaram com a cidade. E não será o exército, que sequer é treinado para lidar com situações dessa natureza, que resolverá o problema.

Talvez, num primeiro momento, a intervenção cause algum tipo de impacto psicológico; mas não será aquiescendo aos militares carta branca para matar e invadir residências, ao arrepio dos direitos fundamentais, que se acabará com a violência. Não será promovendo uma carnificina generalizada, à custa de vidas inocentes, que se extinguirá com o tráfico e o crime organizado.

Nenhuma vida pode ser retirada sob o pretexto de qualquer tipo de intervenção.

É notório que o Rio de Janeiro possui índices alarmantes de vítimas com balas perdidas.

Veja também:  "Não tenho medo de ditador, de subditador, de projeto de ditador", diz Flávio Dino

Recentemente, o pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro, teria afirmado que “metralharia a Rocinha”.

Apesar das estatísticas ruins, não podemos dar guarida aos discursos de ódio disseminados por políticos e autoridades que buscam promover – e legitimar– uma falaciosa guerra civil.

O assunto é sério, e não será através de um despreparado exército – que não detém competência constitucional originária para tratar de segurança pública – que vamos resolver o problema.

Em tempo: malgrada a aparente panviolência urbana, a capital carioca é tida somente como a 23ª capital com maior índice de homicídios no país. Ela também não figura na lista dos trinta municípios mais violentos, conforme relatos recente do Ipea, o que nos leva a questionar, também, os reais motivos da intervenção.

*André Luiz Cosme Ladeia é poeta e procurador municipal

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