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04 de dezembro de 2018, 19h10

“Sabe rebolar?”, pergunta apresentador do Bola de Ouro para primeira mulher a ganhar o prêmio

Pergunta feita durante a cerimônia de premiação dos melhores jogadores de futebol do mundo para a primeira ganhadora da categoria feminina, Ada Hegerberg, foi interpretada por internautas e até outros atletas como sexista e machista

Reprodução/Twitter
O “Bola de Ouro”, prêmio da revista francesa France Football que é entregue aos melhores jogadores de futebol do mundo desde 1956, contou neste ano, pela primeira vez, com a categoria feminina. A cerimônia, realizada na noite desta segunda-feira (3) na França, no entanto, foi marcada por um gesto considerado machista e sexista justamente na entrega do troféu para a primeira melhor jogadora do mundo a ser premiada pela revista. A jogadora norueguesa Ada Hegerberg, vencedora do prêmio inédito, recebeu seu troféu e logo após foi questionada ao vivo pelo DJ francês Martin Solveig, um dos mestres de cerimônia, se sabia...

O “Bola de Ouro”, prêmio da revista francesa France Football que é entregue aos melhores jogadores de futebol do mundo desde 1956, contou neste ano, pela primeira vez, com a categoria feminina. A cerimônia, realizada na noite desta segunda-feira (3) na França, no entanto, foi marcada por um gesto considerado machista e sexista justamente na entrega do troféu para a primeira melhor jogadora do mundo a ser premiada pela revista.

A jogadora norueguesa Ada Hegerberg, vencedora do prêmio inédito, recebeu seu troféu e logo após foi questionada ao vivo pelo DJ francês Martin Solveig, um dos mestres de cerimônia, se sabia fazer “twerk”, termo utilizado para um movimento de dança que se assemelha ao “rebolado”.

Ada foi objetiva: disse “não” e deixou o palco.

A atitude do apresentador rapidamente virou assunto nas redes sociais. Centenas de internautas interpretaram a pergunta feita para a primeira mulher a vencer o prêmio de futebol como machista e sexista. Até mesmo outros atletas falaram sobre o caso, como o tenista britânico Andy Murray:  “Outro exemplo do ridículo sexismo no esporte. Que perguntas eles fizeram a Mbappé e Modric?”, questionou em suas redes sociais.

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A jogadora brasileira, Marta, que foi indicada ao prêmio mas não foi à cerimônia, também repercutiu o ocorrido, que classificou como “triste, em entrevista ao programa ‘Bate Bola’, da ESPN Brasil. “Erro de um cara de não pensou na hora de saber colocar as palavras corretamente, porque se tratava de uma premiação do esporte. Triste, porém a gente tem que rebater com ações”, disse.

Após a cerimônia, diante da repercussão negativa, o DJ francês que fez a pergunta publicou uma série de tuítes informando que já conversou com a atleta sobre o fato e que já pediu desculpas. “Eu expliquei para Ada e ela me disse que entendeu que era uma piada. No entanto, peço desculpas a qualquer um que tenha sido ofendido”, escreveu.

Ada também minimizou o caso.  “Ele veio até mim depois e estava muito, muito triste por ter sido interpretado assim. Eu não pensei nisso naquele momento, eu não considero que tenha sofrido um assédio sexual ou qualquer coisa”, afirmou.

A atleta é atacante e defende o Olympique Lyonnais desde 2014.

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