EM ALERTA

Aumento de contágio de doença venérea no mundo preocupa especialistas

Órgãos da saúde pública ligam alerta com disparo de casos de infecções sexualmente transmissíveis

O laço vermelho é o símbolo internacional da consciência sobreo HIV e a aids.Créditos: Agência Brasil
Escrito en SAÚDE el

O disparo no número de casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no Brasil e no mundo trouxe preocupação aos especialistas. Também conhecidas como doenças venéreas, as ISTs são: herpes genital, sífilis, gonorreia, tricomoníase, infecção pelo HIV, infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), hepatites virais B e C,, por exemplo.

Em abril deste ano, dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos revelaram que o número de casos de sífilis cresceu 32% entre 2020 e 2021, o maior aumento reportado em 70 anos. "A epidemia de ISTs não mostra sinais de desaceleração", relata o CDC.

ISTs no Brasil

De acordo com Boletim Epidemiológico de 2022 do Ministério da Saúde, lançado em 2023, o número de casos de aids notificados cresceu 15% entre 2020 e 2021. Foram 360 mil casos de sífilis acumulados entre janeiro de 2018 e junho de 2020. O isolamento social causado pela pandemia de Covid-19, no entanto, pode ter reduzido o recebimento das notificações, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Os casos de HIV notificados em 2022 prevaleceram na faixa etária dos 20 a 29 anos (41,1% do total) para os homens e 30 a 39 anos para as mulheres (26,4% do total). A proporção é de 2,83 homens a cada mulher diagnosticada. Em números gerais, foram 12.341 casos masculinos e 4.350 femininos.

Apenas no estado de Minas Gerais, as infecções por sífilis adquirida cresceram 2.149% entre 2011 e 2021, enquanto as confirmações de HIV aumentaram em 437%. Os dados foram levantados pelo Estado de Minas a partir da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

"A sífilis adquirida pode ser uma endemia [doença restrita a um lugar ou região] ignorada que pode parecer uma epidemia [doença com número de casos acima do esperado em mais de um lugar], pois começou a ser notificada há relativamente pouco tempo", afirma Ivan França Júnior, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo ao Uol.