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Estresse e ansiedade em dezembro aumentam risco da “síndrome do coração partido”

A sobrecarga emocional típica do fim do ano pode provocar alterações cardíacas graves e exige atenção aos sinais do corpo

Imagem Ilustrativa.Créditos: Pexels/Towfiqu barbhuiya
Escrito en SAÚDE el

Metas acumuladas, prazos apertados, festas, cobranças e expectativas. O fim do ano chega trazendo uma avalanche emocional que, para muita gente, tem nome: “Dezembrite”. O que parece apenas um cansaço coletivo de dezembro pode, no entanto, ter efeitos bem mais sérios sobre o corpo, e especialmente sobre o coração.

Segundo a International Stress Management Association (Isma-BR), o nível de estresse nesse período aumenta em média 75% em relação aos outros meses. A ansiedade cresce cerca de 70% e os distúrbios do sono, quase 40%. Esse caldo de tensão é terreno fértil para uma condição cardíaca conhecida como Síndrome de Takotsubo, ou simplesmente “síndrome do coração partido”.

A cardiologista Fernanda Douradinho explica que o problema costuma surgir após episódios de forte estresse emocional ou físico. De acordo com ela, é uma dilatação transitória do ventrículo esquerdo, que faz o coração mudar de formato, ficando parecido com um vaso japonês chamado takotsubo, usado para capturar polvos. Daí vem o nome da síndrome.

Os sintomas lembram os de um infarto, como dor súbita no peito, falta de ar, palpitações e suor excessivo. A médica ressalta que é fundamental procurar atendimento médico imediato. Somente exames como ecocardiograma e cateterismo podem diferenciar a Takotsubo de um infarto comum. 

Uma boa notícia

A boa notícia é que com tratamento e acompanhamento adequados, a recuperação costuma ser completa em poucas semanas. Mas, para a médica, o essencial é prevenir, cuidando da saúde emocional antes que o corpo peça socorro. Ela ressalta que coração e mente estão diretamente conectados. E sono, lazer, atividade física e redes de apoio fazem parte do cuidado cardíaco tanto quanto os remédios.

O fim do ano, diz ela, deveria ser um momento de pausa, e não de exaustão. Por isso, ela alerta que desacelerar também é uma forma de resistência num mundo que exige produtividade o tempo todo. E cuidar das emoções também é uma forma de cuidar da vida. 

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