Uma doença silenciosa tem avançado pelo mundo e já afeta centenas de milhões de pessoas. A doença renal crônica (DRC), que muitas vezes não apresenta sintomas nos estágios iniciais, chegou a 788 milhões de casos em 2023 e se tornou uma das principais causas de morte global, de acordo com uma análise de pesquisadores do NYU Langone Health, da Universidade de Glasgow e do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME).
O número de pessoas com função renal comprometida mais que dobrou desde 1990, quando havia 378 milhões de casos. O envelhecimento da população e o aumento de doenças como diabetes, hipertensão e obesidade contribuem para essa tendência, especialmente em países com menos acesso a cuidados de saúde.
Quase 1,5 milhão de mortes por ano
Em 2023, 1,5 milhão de pessoas morreram devido à doença. Considerando mudanças demográficas das últimas décadas, a mortalidade aumentou mais de 6%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também reconheceu a gravidade do problema: em maio de 2025, a DRC foi incluída na lista de prioridades globais, com a meta de reduzir em um terço as mortes prematuras por doenças não transmissíveis até 2030.
Estudo mais completo em dez anos
A pesquisa faz parte do Global Burden of Disease (GBD) 2023, a maior iniciativa de monitoramento da saúde global. Foram analisados 2.230 artigos e dados de 133 países, levando em conta diagnósticos, mortes e impactos na qualidade de vida.
Nos estágios iniciais, que representam a maior parte dos casos, a doença geralmente não apresenta sintomas evidentes. É nesse período que o diagnóstico precoce pode evitar a evolução para casos graves, que exigem diálise ou transplante renal.
Relação com problemas cardíacos e fatores de risco
O estudo mostra que a função renal comprometida contribui para cerca de 12% das mortes cardiovasculares globais em 2023.
Os principais fatores de risco incluem:
- Níveis elevados de glicose
- Hipertensão arterial
- Obesidade (IMC elevado)
Eles estão ligados a estilos de vida urbanos, alimentação ultraprocessada e dificuldade de acesso a cuidados básicos de saúde.
Desigualdade global e acesso a tratamento
Embora novos medicamentos possam retardar a progressão da doença e reduzir riscos cardíacos, a desigualdade global limita quem consegue se beneficiar dessas terapias.
O relatório, publicado na revista The Lancet é a avaliação mais detalhada da doença renal crônica em quase uma década. Ele alerta que, sem diagnóstico precoce, políticas públicas consistentes e acesso universal à saúde, a doença continuará avançando e aumentando desigualdades, transformando uma condição prevenível em risco real de morte, especialmente para quem vive em regiões periféricas ou de menor renda.
Com informações do site "Science Daily"