NEUROCIÊNCIA

Essa característica física ajuda a manter o cérebro jovem por mais tempo

Um detalhe do corpo humano pode revelar muito mais sobre o cérebro do que se imaginava

Estudo mostra que pessoas com maior proporção de gordura visceral em relação à massa muscular têm idade cerebral prevista mais elevada.Créditos: Pexels/Mikhail Nilov
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Um estudo apresentado na reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte identificou uma relação direta entre composição corporal e envelhecimento cerebral. Pesquisadores observaram que pessoas com mais massa muscular e menor acúmulo de gordura visceral, a gordura profunda que envolve órgãos internos no abdômen, tendem a apresentar cérebros biologicamente mais jovens.

A pesquisa avaliou 1.164 adultos saudáveis com média de 55 anos. Todos passaram por ressonâncias magnéticas de corpo inteiro que mediram quantidade de músculo, gordura subcutânea e gordura visceral. As imagens também serviram para calcular a idade aparente do cérebro. Um algoritmo de inteligência artificial analisou as estruturas e cruzou os dados corporais com sinais de envelhecimento cerebral.

Os resultados mostraram que quanto maior a proporção de gordura visceral em relação à massa muscular, mais envelhecido o cérebro parecia. A gordura sob a pele não apresentou relação significativa. Por outro lado, participantes com mais massa muscular exibiram sinais estruturais compatíveis com cérebros mais jovens.

O autor sênior do estudo, Cyrus Raji, professor de radiologia e neurologia da Universidade de Washington, explicou que esses indicadores corporais refletem diretamente a saúde cerebral. Ele afirmou que aumentar massa muscular e reduzir gordura visceral são metas alcançáveis e podem gerar benefícios mensuráveis para o envelhecimento do cérebro.

Também foi analisado no estudo o impacto dos medicamentos usados para perda de peso que atuam no sistema GLP-1. Embora eficazes na redução de gordura, esses tratamentos podem levar à perda de massa muscular. Os pesquisadores sugerem que terapias futuras devem priorizar a eliminação da gordura visceral preservando músculos, combinação que parece oferecer maior proteção ao cérebro.

A equipe defende que a integração entre ressonância magnética e inteligência artificial deve se tornar uma aliada importante para monitorar riscos metabólicos, orientar intervenções e apoiar estratégias de envelhecimento saudável.

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