É comum pensar que as tarjas coloridas dos remédios estão associadas a uma escolha estética ou relacionada ao logo das fabricantes. No entanto, essas embalagens fazem parte de um sistema de controle criado para orientar, de maneira rápida, farmacêuticos, profissionais de saúde e pacientes sobre o nível de risco e as regras de venda de cada medicamento.
A definição desse sistema é responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece o que pode ou não aparecer nas embalagens. As tarjas também ajudam o farmacêutico a conferir se o medicamento entregue é exatamente o prescrito pelo médico, reduzindo a chance de erros em meio a uma enorme variedade de caixas parecidas.
Te podría interesar
No Brasil, essa sinalização é ainda mais importante porque o país convive com um cenário alarmante de automedicação. A Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas estima que cerca de 20 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência do uso inadequado de medicamentos. A própria Anvisa classifica a automedicação como um problema de saúde pública, já que o consumo sem orientação pode provocar danos graves, mascarar doenças e levar a dependência.
Nesse contexto, compreender o que cada tarja indica deixa de ser apenas uma curiosidade sobre embalagens. É uma forma direta de reduzir riscos e usar medicamentos com mais segurança.
Te podría interesar
Tarja vermelha
A tarja vermelha identifica remédios que oferecem risco intermediário de efeitos adversos e, por isso, devem ser prescritos por um profissional de saúde. Dentro desse grupo, há duas situações. Em alguns casos, a receita é apresentada e devolvida ao paciente. Em outros, a farmácia precisa reter o documento, porque se trata de substâncias sujeitas a controle especial.
As embalagens desses medicamentos são obrigadas a informar de forma clara que o produto exige prescrição médica e, quando for o caso, retenção da receita, além de alertar para os riscos associados ao uso.
Tarja preta
Os medicamentos de tarja preta precisam de vigilância mais rigorosa. Em geral, são substâncias que agem no sistema nervoso central, têm potencial de causar dependência e, se mal utilizados, podem levar a quadros graves e até à morte. Para a segurança do paciente, só podem ser comprados com prescrição médica, que deve ficar retida com o farmacêutico.
Esse grupo inclui, por exemplo, remédios utilizados em transtornos psíquicos, insônia ou quadros de dor intensa. A indicação correta, o acompanhamento contínuo e o respeito às doses são fundamentais para reduzir riscos.
Tarja amarela
A tarja amarela não está relacionada diretamente ao risco, e sim à categoria do medicamento. Ela identifica os genéricos, que possuem o mesmo princípio ativo, dose e eficácia do medicamento de referência, mas costumam ter preço menor.
Um remédio genérico pode ser isento de prescrição, de tarja vermelha ou de tarja preta. Quando pertence ao grupo dos tarjados, a embalagem traz a faixa amarela junto com a vermelha ou a preta. Em outras palavras, a tarja amarela informa que o produto é genérico, e a outra cor, quando presente, indica o grau de controle exigido.
Medicamentos sem tarja
Os medicamentos sem tarja são os chamados isentos de prescrição, conhecidos como MIP. Eles podem ser comprados sem receita médica, mas seguem todas as exigências de qualidade, segurança e eficácia previstas na legislação sanitária. Estão listados na relação oficial da Anvisa e são indicados para problemas considerados não graves, com evolução lenta ou inexistente, como algumas dores leves ou desconfortos pontuais.
O fato de não exigirem receita não significa que possam ser usados sem critério. O uso frequente, abusivo ou combinado com outros remédios pode trazer riscos importantes, especialmente para pessoas com doenças crônicas ou que já utilizam outros medicamentos de uso contínuo.