DESCOBERTA

Nanotecnologia cria versão 20 mil vezes mais potente de quimioterapia, com menos efeitos colaterais

Cientistas transformaram um medicamento quimioterápico comum em uma terapia oncológica que aumentou a absorção do remédio e seu potencial de ação nas células cancerígenas

Técnica concentra a ação da quimioterapia no tumor e reduz danos ao organismo..Créditos: Pexels/Edward Jenner
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Uma nova estratégia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, pode mudar o padrão dos tratamentos oncológicos. A equipe conseguiu reformular um quimioterápico tradicional por meio de nanotecnologia, criando uma versão capaz de destruir células tumorais com potência até 20 mil vezes maior e sem provocar os efeitos colaterais fortes. Os resultados foram publicados no site "Science Daily".

O estudo revisita o 5-fluorouracilo (5-FU), um dos medicamentos usados contra o câncer, mas com ação limitada pela baixa solubilidade e pelos efeitos adversos. A solução encontrada pelos cientistas foi incorporá-lo a minúsculas partículas revestidas por cadeias de DNA, conhecidas como ácidos nucleicos esféricos (SNAs). Essas nanoestruturas funcionam como um sistema de entrega mais eficiente, conduzindo o remédio diretamente às células que precisam ser atingidas.

A técnica foi testada em animais com leucemia mieloide aguda, um tipo agressivo de câncer no sangue. Nos testes, o medicamento reformulado entrou com muito mais facilidade nas células doentes e destruiu os tumores com até 20 mil vezes mais eficiência do que a versão convencional do 5-FU. O tratamento também conseguiu retardar de forma significativa o avanço da doença, sem efeitos colaterais relevantes.

Os achados chamam atenção porque a quimioterapia tradicional costuma atingir também células saudáveis, causando náuseas, fadiga e outros sintomas. Com o uso das nanopartículas, a droga se concentra nas células cancerígenas, poupando o restante do organismo.

A equipe da Northwestern agora pretende ampliar os experimentos em modelos animais antes de avançar para testes clínicos. A expectativa dos pesquisadores é que a tecnologia abra caminho para terapias mais precisas e menos tóxicas, não apenas no tratamento do câncer, mas também em outras áreas da medicina.

 

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