O Brasil realiza neste sábado (8) o Dia D de combate ao Aedes aegypti, data que marca o início da operação nacional voltada à prevenção da dengue, zika e chikungunya. A ação integra a campanha “Não dê chance para dengue, zika e chikungunya”, lançada nesta semana pelo governo federal, e envolve prefeituras, estados, agentes de saúde e a população em geral.
A vacinação contra a dengue vem sendo incorporada de forma progressiva à estratégia de enfrentamento das arboviroses no país. O Brasil foi o primeiro a oferecer o imunizante pelo Sistema Único de Saúde (SUS), aplicado desde 2024 em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em 2.752 municípios classificados como de maior risco. Até outubro deste ano, mais de 10,3 milhões de doses foram distribuídas aos estados.
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A previsão é ampliar o acesso nos próximos anos. O Ministério da Saúde enviou novas remessas em outubro e estima distribuir outras 9 milhões de doses em 2026. Até 30 de outubro, o país somou mais de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, volume 75% menor do que o registrado em 2024. No mesmo intervalo, foram confirmadas cerca de 1,6 mil mortes, número que representa uma redução de 72% em relação ao ano anterior. A maior concentração de ocorrências está em São Paulo, com 890 mil casos, seguido por Minas Gerais (159,3 mil), Paraná (107,1 mil), Goiás (96,4 mil) e Rio Grande do Sul (84,7 mil).
Apesar da melhora, o Ministério da Saúde alerta que a transmissão segue ativa e tende a aumentar com a chegada do período chuvoso. O Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) mostra que 30% dos municípios avaliados apresentam índice de risco ou alerta para o mosquito, com maior tendência de alta nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. .
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Como participar do Dia D e o que fazer para impedir novos surtos
O Dia D de combate ao Aedes aegypti mobiliza estados e municípios em uma ação coordenada que envolve visitas domiciliares, limpeza de espaços públicos, inspeção de áreas consideradas estratégicas e atividades educativas voltadas à prevenção das arboviroses. Prefeituras, equipes da atenção primária e agentes de endemias estarão nas ruas ao longo de todo o sábado realizando mutirões e orientando moradores sobre como reduzir o risco de transmissão. Em muitos municípios, escolas, unidades de saúde, associações de bairro e centros comunitários também foram integrados à mobilização.
Os agentes comunitários de saúde reforçam que a principal contribuição dos moradores é permitir o acesso às residências, já que a maior parte dos criadouros do mosquito continua concentrada dentro das casas. Em mais de 80% dos municípios avaliados, as larvas do Aedes aegypti foram encontradas em locais associados ao armazenamento inadequado de água ou ao acúmulo de recipientes abertos, como vasos de planta, pneus, garrafas, caixas d’água destampadas, calhas obstruídas, lonas que acumulam poças e bandejas de equipamentos como geladeiras e ar-condicionado.
Além de abrir as portas para as equipes de saúde, o Ministério da Saúde orienta que cada família faça uma vistoria em casa para eliminar parte dos criadouros antes que o mosquito complete seu ciclo. O ideal é que essa checagem seja reforçada durante o início do período chuvoso, quando o risco de infestação aumenta.
Entre as ações recomendadas estão esvaziar recipientes que acumulam água, tampar bem caixas d’água e reservatórios, limpar calhas e ralos, descartar corretamente objetos sem uso, manter quintais sem entulho e esticar completamente lonas usadas para cobrir móveis, veículos ou materiais de construção. Em áreas com transmissão ativa, o uso de telas nas janelas e repelentes também é indicado.
Durante o Dia D, equipes municipais distribuirão materiais informativos, orientarão sobre sinais e sintomas da doença e farão a identificação de pontos críticos nos bairros. A expectativa é que a mobilização concentre esforços antes do aumento sazonal dos casos, reduzindo o risco de novos surtos nas semanas seguintes.