CERVEJA

“Barriga de cerveja” pode ser mais prejudicial à saúde do que estar acima do peso, diz pesquisa

Danos aparecem até em pessoas sem pressão alta, diabetes ou colesterol elevado

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Escrito en SAÚDE el

Há cada vez mais evidências de que o acúmulo de gordura no abdômen representa um risco específico para o coração — e mais perigoso do que simplesmente estar acima do peso. Pesquisadores da Alemanha analisaram mais de 2 mil pessoas e confirmaram que a chamada “barriga de cerveja”, independentemente de consumo de álcool, está diretamente ligada a padrões preocupantes de remodelação cardíaca.

O estudo, conduzido no Centro Médico Universitário de Hamburgo-Eppendorf e apresentado na Sociedade Radiológica da América do Norte, mostrou que a localização da gordura importa tanto quanto o excesso de peso. Enquanto o IMC aponta apenas o total de massa corporal, a relação cintura-quadril revela onde essa gordura se concentra — e é justamente o depósito abdominal que mais ameaça a saúde cardiovascular.

Segundo a médica Jennifer Erley, responsável pela pesquisa, pessoas com maior acúmulo de gordura visceral apresentaram corações com paredes mais espessas e câmaras internas menores, um formato associado ao risco de insuficiência cardíaca. Mesmo indivíduos sem hipertensão, diabetes ou colesterol alto apresentaram alterações cardíacas associadas à obesidade abdominal, com maior impacto entre os homens.

Os cientistas usaram ressonância magnética avançada para analisar a estrutura cardíaca dos participantes e encontraram um padrão consistente: a gordura acumulada na região central do corpo provoca um tipo de hipertrofia que reduz a capacidade do coração bombear sangue. Isso porque a gordura visceral, que envolve órgãos internos, causa inflamação e interfere diretamente no funcionamento cardiovascular.

A OMS aponta que valores acima de 0,90 na relação cintura-quadril para homens e 0,85 para mulheres já indicam risco aumentado. O levantamento alemão reforça a importância de medir a cintura regularmente — algo simples, mas mais eficaz que depender apenas do IMC.

Especialistas lembram que a chamada “barriga de cerveja” não é causada só por bebida alcoólica: genética, alimentação inadequada, sedentarismo e mudanças hormonais também influenciam. Para reduzir os riscos, médicos recomendam atividade física regular, controle alimentar e acompanhamento profissional sempre que houver suspeita de acúmulo de gordura abdominal.

Os pesquisadores afirmam que os resultados precisam ser aprofundados, especialmente para explicar diferenças entre homens e mulheres. Ainda assim, o recado é claro: quando a gordura se instala no abdômen, o coração sente primeiro.

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