Pesquisadores brasileiros identificaram e caracterizaram uma nova enzima (KaPgaB) capaz de degradar, de forma muito eficiente, a camada que protege os biofilmes de Staphylococcus aureus, o principal causador de infecções recorrentes de pele, feridas e de corrente sanguínea.
Em artigo publicado no periódico World Journal of Microbiology and Biotechnology, um conjunto de doze pesquisadores vinculados a instituições brasileiras, como a USP, a Universidade Estadual de Ponta Grossa, a PUC-Curitiba e o Instituto de Física de São Carlos, descreve os ensaios in vitro realizados com a nova enzima, que reduziu até 81% da biomassa de biofilme em quatro horas e, quando usada em conjunto com outras enzimas, alcançou um resultado de 97% de remoção.
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O resultado alcançado pode servir para melhorar a eficácia de antibióticos e abre caminhos para estratégias de tratamento contra infecções persistentes associadas a instrumentos médicos.
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Os biofilmes, como são chamadas as comunidades de micro-organismos que se fixam sobre uma superfície natural — como a pele — e produzem uma armadura resistente a antibióticos e à ação do sistema imunológico, são uma das principais causas de infecções crônicas e associadas a dispositivos médicos, como cateteres, próteses e curativos.
Eles dificultam a penetração dos antibióticos no organismo e favorecem a persistência das bactérias, o que causa reinfecções e aumenta o tempo e o custo do tratamento.
A enzima identificada pelos pesquisadores se mostrou capaz de restaurar a ação dos antibióticos contra os biofilmes e impedir novas formações de biofilmes.
Segundo um relatório nacional da ANVISA sobre Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), a S. aureus é um dos principais grupos identificados em infecções sanguíneas recorrentes associadas ao uso de cateter venoso central, e a principal porta de entrada para infecções sistêmicas em UTIs.
Dados de 2023 apontam que a resistência à oxacilina, antibiótico usado para o tratamento dessas infecções, atingiu índices na ordem de 40% nas amostras testadas entre pacientes infectados.
Na prática, a descoberta da KaPgaB pode auxiliar o tratamento de feridas crônicas e prevenir a colonização de bactérias em dispositivos médicos, reduzindo sua carga microbiana.