COP30: Projeto destaca contribuição das comunidades pesqueiras da Baixada Santista
Painel com a participação do Mantas do Brasil vai evidenciar como o conhecimento tradicional pode impulsionar a economia azul e as metas climáticas do país
O Projeto Mantas do Brasil, iniciativa criada em Santos, no litoral paulista, marcará presença na COP30, que está sendo realizada em Belém, no Pará.
Em parceria com a Petrobrás e patrocínio da Autoridade Portuária de Santos (APS), empresa vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos do Governo Federal, o grupo participará de um painel exclusivo sobre “Pesca artesanal e economia azul”, ao lado do Projeto Costamar, a convite do Instituto RedeMAR Brasil.
O encontro acontecerá no dia 18 de novembro, das 11 horas às 12h30, no Prédio da Economia Criativa, na Zona Verde do evento.
O painel vai mostrar como os conhecimentos tradicionais das comunidades pesqueiras artesanais podem contribuir para políticas públicas de economia azul, além de ajudar o Brasil a cumprir suas metas climáticas.
O debate será mediado por William Freitas, presidente do Instituto RedeMAR Brasil, e contará com a participação de Thiago Costa, do Projeto Costamar; Paula Romano, coordenadora-geral do Mantas do Brasil; Letícia Schabiuk, coordenadora-executiva do Mantas do Brasil; Quêner Chaves dos Santos, do Ministério da Pesca; Líder Gongorra, liderança dos Povos do Mar; e Luena Maria, representante dos povos indígenas.
Os painelistas discutirão caminhos para integrar o saber tradicional das comunidades à formulação de políticas públicas voltadas à economia azul e à conservação marinha.
“Nosso objetivo é mostrar que a conservação marinha e o desenvolvimento sustentável podem caminhar juntos. As comunidades costeiras acumulam saberes valiosos sobre o oceano e precisam ser ouvidas quando se fala em futuro climático”, destacou Paula Romano.
O projeto defende que unir a ciência ao conhecimento tradicional é o caminho para uma economia azul verdadeiramente sustentável.
“Os pescadores têm uma compreensão profunda dos ciclos naturais, dos comportamentos das espécies e da dinâmica do mar. Quando esses saberes se unem à pesquisa científica, conseguimos construir políticas públicas mais eficazes e adaptadas à realidade de cada região”, explicou Letícia Schabiuk.
Durante o evento, o Mantas do Brasil vai compartilhar experiências práticas com pescadores da Baixada Santista, como o documentário “Arrasta Maré”, que retrata a tradição do arrasto de praia e a vivência das comunidades costeiras. A obra conta a emocionante história do Sr. Rocha, um dos últimos pescadores de arrasto de Santos. Uma jornada que mistura tradição e sobrevivência.
“Essas histórias mostram que a conservação não precisa ser excludente. Ao contrário, quando ela é feita com as pessoas, o resultado é muito mais duradouro e justo”, ressaltou Letícia.
A instituição também apresentará ações voltadas à redução de impactos da pesca e ao monitoramento participativo das raias-mantas, com registros de avistamentos feitos por pescadores parceiros.
“Atualmente, recebemos relatos diretos dos pescadores sobre encontros com mantas. Essa troca mostra que é possível conservar e pescar de forma responsável, sem prejuízo para ninguém”, reforça Paula.
O reconhecimento de que os oceanos são aliados essenciais no enfrentamento da crise climática está no centro da criação do Pacote Azul, plano global que busca acelerar soluções baseadas no potencial das águas para regular o clima e reduzir os impactos do aquecimento global.
“Queremos firmar novos compromissos e mostrar que inclusão e conservação precisam caminhar juntas. É sobre dar voz a quem vive no mar todos os dias e reconhecê-los como protagonistas da economia azul”, completou Letícia.
Realização
O painel é uma realização do Instituto RedeMAR Brasil, com participação do Projeto Costamar, parceria da Petrobrás, por meio do Programa Petrobrás Socioambiental, e apoio da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Edinburgh Napier University, ESECMJ, Parna do Cabo Orange/ICMBio e das colônias de pescadores Z-6 e Z-2.
O Projeto Mantas do Brasil, fundado há mais de 10 anos em Santos, atua na preservação das raias-manta, uma das maiores espécies de raia do mundo.
Desenvolve ações de conscientização, pesquisa e educação ambiental, e é uma realização do Instituto Laje Viva, ONG criada por mergulhadores indignados com a pesca e caça ilegal no Parque Estadual Marinho da Laje de Santos.
A iniciativa conta com parceria da Petrobrás e patrocínio da Autoridade Portuária de Santos (APS), empresa vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos do Governo Federal.
Serviço
Painel “Pesca artesanal e economia azul”;
Local: Prédio da Economia Criativa – Zona Verde, COP30, Belém (PA);
Data: 18 de novembro de 2025;
Horário: das 11h às 12h30;
Participantes: Instituto RedeMAR Brasil, Projeto Mantas do Brasil, Projeto Costamar, Ministério da Pesca, Povos do Mar e representantes indígenas.
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