Folha Santista

Privatizada por Tarcísio, Sabesp é multada em R$ 33 mil por poluir litoral de SP

Secretaria de Meio Ambiente de Mongaguá denuncia que manchas escuras e mau cheiro se tornaram problemas crônicos

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Formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é repórter na Revista Fórum e atua na cobertura socioambiental, com foco em Direitos Humanos, Meio Ambiente e Política. Também tem experiência em fotografia e audiovisual.
Privatizada por Tarcísio, Sabesp é multada em R$ 33 mil por poluir litoral de SP
Sabesp. Reprodução/Redes Sociais

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está sendo multada em R$ R$ 3.702 por dia, desde 17 de novembro, por despejar esgoto não tratado no mar de Mongaguá, no litoral paulista. A situação foi constatada pela Secretaria de Meio Ambiente do município após moradores e turistas relataram manchas escuras e mau cheiro no mar

Técnicos visitaram alguns Poços de Visita (PVs), como os do Jardim Praia Grande e Itaóca, e também a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Bichoró, que fica no Vera Cruz, região que apresentou uma enorme mancha escura e fétida no mar na semana passada, de acordo com a Secretaria. 

“Essa água de esgoto vai direto para o canal e consequentemente para as nossas praias. Continuaremos fiscalizando diariamente, até a resolução do problema. Não queremos ver novamente esses PVs transbordando nem qualquer outro descarte irregular de efluente", afirmou o secretário de Meio Ambiente, Alexandre Barril Dalla Pria.

Ele ainda ressaltou que esse problema "se tornou praticamente crônico" no município. A situação foi reforçada pelo comerciante do ramo de serralheria, no Jardim Praia Grande, Vanderley Alberto, que relatou estar "cansado" com os problemas dos PVs.

“Trabalho aqui há mais de 20 anos e há mais de 10, nos dias de chuva, essas bocas de lobo vazam e fica um cheio horrível. Nós pagamos pelo esgoto certinho e mesmo assim a Sabesp não faz nada para resolver", desabafou, em entrevista à Secretaria de Meio Ambiente. 

O secretário também desmentiu a Sabesp, afirmando que as redes da empresa estão obsoletas, rebatendo o posicionamento da companhia nas redes sociais, que se eximiu da responsabilidade sobre a mancha nas praias e transferiu a culpa para as redes de drenagem da prefeitura.

O último posicionamento da prefeitura de Mongaguá foi feito na terça-feira (25), afirmando que havia intensificado a fiscalização nas redes de esgoto da Sabesp e que a multa já ultrapassa R$ R$ 33.318.

Privatização 

Após ser privatizada pela gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Sabesp passou a colecionar uma série de multas e reclamações por problemas na qualidade do serviço, vazamentos e altas tarifas cobradas dos moradores

Em julho deste ano, um ano após a privatização da empresa, o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) denunciou que o risco de acidentes aumentou devido à diminuição de equipes de manutenção e resposta rápida. Naquele período, a empresa passou por duas ocorrências de vazamento de esgoto em vias fluviais, uma próxima à Rodovia Castelo Branco e outra na Represa do Guarapiranga, um dos principais reservatórios hídricos da região metropolitana.

O que diz a Sabesp

Em nota enviada a alguns veículos de comunicação, a Sabesp afirmou que recebeu representantes da Secretaria de Meio Ambiente e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), "que atestaram que o sistema opera normalmente, atendendo à legislação e fazendo o devido tratamento do esgoto". 

A empresa ainda afirmou que o problema ocorre por "lançamento irregular de água da chuvas nas redes de coleta de esgoto" e acusou o município de não ter infraestrutura para escoar águas pluviais, o que faz com que o excesso seja lançado indevidamente no sistema de esgoto, provocando sobrecarga. 

“O escoamento da água de chuva ocorre pelo sistema de drenagem, que deve ser totalmente separado das redes de coleta de esgoto da Sabesp. A gestão desse sistema, entre sarjetas, bocas-de-lobo, canais e galerias pluviais que deságuam no mar, é atribuição municipal”, diz a nota. 

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