Punhos de Repúdio: jogo traz heroínas que enfrentam defensores da cloroquina e organizadores de festas clandestinas; veja vídeo

Na trama polêmica, Laura e Nina são as personagens que combatem negacionistas de camiseta amarela com socos e lutam para salvar o Sistema Ótimo de Saúde

Um game que foi lançado para ser financiado de maneira coletiva promete dar o que falar. Trata-se de “Punhos de Repúdio”, onde, segundo a sinopse disponível na página do jogo, trata-se “um game de porrada clássico. Sinta toda a revolta de quem não aguenta mais gente na rua máscara”.

A resenha do game informa que “essa cidade já foi um lugar feliz e sorridente… Até que, um dia, um vírus mortal se espalhou. Esse vírus mudou a forma como as pessoas vivem suas vidas, fazendo com que todos entrassem em um estado de autoquarentena, saindo na rua apenas para o essencial e usando máscaras como medida de segurança. Porém… uma certa porcentagem irracionalmente fanática da população decidiu ignorar tais medidas, colocando em risco a vida de todos. Infelizmente, a única forma de combater esses idiotas egoístas é através dos Punhos de Repúdio”.

Os principais vilões do jogo são “líderes políticos e religiosos que gostam de morte e que vão distribuir muito remédio falso, mentir sobre o isolamento e fazer de tudo para sabotar o SOS, o Sistema Ótimo de Saúde”.

As personagens são Laura, que “toda vez que vai ao mercado (o único lugar que ela temido ultimamente), ela se depara com uma quantidade vergonhosa de boçais andando sem máscara por aí”, e Nina, “uma gênia que ganhou o prêmio de melhor TCC na faculdade após construir um robozinho fantástico”.

Os inimigos, que são caracterizados com camiseta verde e amarela, são Marcos Cuzzione (babaca profissional), Patrícia Goebbels (pobrefóbica) e Lucas Estevez (argumentador de bar).

Em conversa exclusiva com a Fórum, a equipe do Braindead Broccoli Games, por meio de sua social media, Luiza Bartolette, respondeu algumas questões sobre como surgiu o projeto e se eles esperavam que a campanha de arrecadação de fundos teria tamanho sucesso em tão pouco tempo.

Fórum: Como surgiu a ideia de criar o jogo?
Braindead Broccoli Games:
A ideia surgiu em meados de julho de 2020, quando nossa equipe estava discutindo a ideia de fazer um jogo com vibe clássica. A gente se via com um sentimento de insatisfação e revolta diante das pessoas que insistiam em desrespeitar medidas básicas de prevenção à pandemia, e andavam nas ruas sem máscaras e se aglomerando. Entendemos que os jogos também são expressões artísticas, e escolhemos essa maneira de expressar todo esse sentimento, além de gerar a crítica e debate que o assunto merece, mas vinha sendo ignorado pela população geral. Daí resolvemos que esse era o tema perfeito para o jogo que queríamos fazer.

Fórum: Vocês bateram a meta do catarse em 24h. Esperava por isso?
Braindead Broccoli Games:: Quando criamos o financiamento coletivo, optamos por colocar uma meta que tínhamos segurança em atingir, mas sempre dá um frio na barriga antes, foram inúmeras reuniões para decidir as metas. Enquanto isso, fizemos um trabalho maciço de divulgação em redes sociais, grupos, fóruns, e isso criou uma relação de proximidade com nosso público. Quando lançamos a campanha, eles responderam a altura.

Fórum: Como será o acesso ao jogo?

Braindead Broccoli Games: Até o momento, o jogo poderá ser acessado no Windows PC via Steam (a maior loja digital do mundo) e no Linux via itch.io. Um dos nossos principais objetivos do financiamento coletivo é conseguir lançar para mais plataformas, recebemos muitos pedidos diariamente e queremos que todos tenham a possibilidade de jogar.

Fórum: Esperava que em tão rápido tempo fosse conseguir o apoio?
Braindead Broccoli Games
: Não esperávamos conseguir tão rápido, foi surpreendente. E ainda está sendo, pois após batermos a meta inicial do Catarse, já estamos com a terceira meta anunciada batida, o que significa 3 metas alcançadas em 4 dias. Ficamos muito felizes e motivados com essa resposta extremamente positiva.

O projeto, que está classificado para 18 anos, está em andamento e em busca de financiamento coletivo. De acordo com a página, duas metas já foram batidas.

Para conhecer o projeto, clique aqui.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).