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29 de abril de 2013, 20h50

“Temos que esclarecer a morte do Herzog”, diz Adriano Diogo

Deputado estadual afirma que as duas gravações divulgadas podem ser "ponta do iceberg" para elucidar fatos ocorridos no período da ditadura militar

Deputado estadual afirma que as duas gravações divulgadas podem ser “ponta do iceberg” para elucidar fatos ocorridos no período da ditadura militar Por Igor Carvalho José Maria Marin é recebido pelo líder do PSDB, senador Álvaro Dias (Foto: José Cruz) Dois áudios com discursos do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, na época da ditadura militar, quando era deputado estadual pela Arena, foram revelados pelo deputado estadual paulista Adriano Diogo (PT). O conteúdo mostra Marin atacando o jornalismo da TV Cultura em 1975, comandado à época pelo jornalista Vladimir Herzog. Na segunda gravação, de 1976, o...

Deputado estadual afirma que as duas gravações divulgadas podem ser “ponta do iceberg” para elucidar fatos ocorridos no período da ditadura militar

Por Igor Carvalho

José Maria Marin é recebido pelo líder do PSDB, senador Álvaro Dias (Foto: José Cruz)

Dois áudios com discursos do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, na época da ditadura militar, quando era deputado estadual pela Arena, foram revelados pelo deputado estadual paulista Adriano Diogo (PT).

O conteúdo mostra Marin atacando o jornalismo da TV Cultura em 1975, comandado à época pelo jornalista Vladimir Herzog. Na segunda gravação, de 1976, o presidente da CBF homenageia o delegado do DOPS Sérgio Fleury, a quem chama “motivo de orgulho para a população paulistana.” No intervalo entre um discurso e outro, Herzog foi torturado até a morte no prédio do DOI-Codi em São Paulo.

Confira a entrevista exclusiva com o deputado Adriano Diogo, falando sobre o caso:

Fórum – O senhor faz uma associação entre os áudios e a morte do jornalista Vladimir Herzog?
Adriano Diogo – Depois de exatamente um ano desse primeiro pronunciamento, o José Maria Marin faz uma homenagem ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, na tribuna da Assembleia Legislativa. Aquilo [o áudio] é um elemento básico para o começo da perseguição ao Herzog, isso é claro.

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Fórum – Muito tem se questionado sobre a presença do José Maria Marin na presidência da CBF. O senhor acredita que a divulgação desse áudio pode contribuir para o afastamento dele?
Adriano Diogo – Não podemos pegar os fatos da ditadura e fazer uma leitura atual, o meu papel como deputado é trazer isso ao grande público e mostrar que ainda estamos impregnados dessa gente.

Fórum – O senhor acha que pode…
Adriano Diogo – Temos que esclarecer a morte do Herzog, isso é importante, saber quem estava por trás, quem mandou, e esse áudio pode ajudar no processo de investigação, mas isso cabe a família decidir.

Fórum – Onde esses áudios foram encontrados pelo senhor?
Adriano Diogo – Eles pertencem ao arquivo histórico da Assembleia Legislativa.

Fórum – O senhor acredita que outros áudios possam ser encontrados e novos fatos sobre esse período da história brasileira possam ser revelados?
Adriano Diogo – Sem dúvida nenhuma. Isso é só a ponta do iceberg, vai aparecer muita coisa e muita gente, vocês vão ver. A história do Brasil não foi contada. Os fatos aconteceram há 40 anos e ninguém sabe, o povo brasileiro ainda desconhece aquela história. Meu papel, como deputado, é investigar e trazer isso a público. Agora, os desdobramentos não podem partir de mim. Esperamos que fatos como esse estimulem os governos a abrirem todos os arquivos ocultos da história de nosso país.

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