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10 de setembro de 2017, 19h02

Tempos sombrios: Após protestos do MBL, mostra com temática LGBT é cancelada

A exposição “Queermuseu”, que apresenta obras de arte sobre questões ligadas à sexualidade e ao universo LGBT, estava em cartaz no Santander Cultural de Porto Alegre e foi cancelada – sem o consentimento do curador – por conta de protestos de grupos de direita, que agora acham que são críticos de arte: “Não acreditamos que as obras sejam um tipo de arte”, diz militante do MBL Por Redação* O Santander Cultural de Porto Alegre (RS) informou, neste domingo (10), que a exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira” foi cancelada. Em cartaz desde agosto, a mostra deveria durar...

A exposição “Queermuseu”, que apresenta obras de arte sobre questões ligadas à sexualidade e ao universo LGBT, estava em cartaz no Santander Cultural de Porto Alegre e foi cancelada – sem o consentimento do curador – por conta de protestos de grupos de direita, que agora acham que são críticos de arte: “Não acreditamos que as obras sejam um tipo de arte”, diz militante do MBL

Por Redação*

O Santander Cultural de Porto Alegre (RS) informou, neste domingo (10), que a exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira” foi cancelada. Em cartaz desde agosto, a mostra deveria durar até outubro, mas foi encerrada graças à pressão de grupos de direita que fizeram, esta semana, um virulento ataque nas redes sociais contra a exposição.

A “Queermuseu” teve como proposta dar visibilidade a questões do universo LGBT presentes na sociedade e na cultura, assim como promover uma revisão de obras e artistas marginalizados. A exposição colocou em cartaz cerca de 270 trabalhos assinados por 85 artistas, entre eles nomes renomados como Leonilson e Lygia Clark, em suportes como pintura, gravura, fotografia, serigrafia, desenho, colagem, cerâmica, escultura e vídeo, emprestadas por coleções públicas e privadas brasileiras. Em alguns desse trabalhos a sexualidade é tratada de maneira explícita, em outras, de forma abstrata.

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Grupos de direita como o Movimento Brasil Livre (MBL), no entanto, acusaram a exposição de promover da “blasfêmia contra símbolos católicos” e até pedofilia. Por uma questão ideológica, esses grupos agora acreditam que possam trabalhar como críticos de arte ao ponto de dar declarações como essa: “Não acreditamos que as obras de Queermuseu sejam um tipo de arte e muito menos que as crianças tenham acesso a esse tipo de coisa”. A fala foi feita por Paula Cassol, coordenadora do MBL no Rio Grande do Sul.

Ao jornal Zero Hora, o curador da mostra, Gaudêncio Fidélis, informou que sequer foi consultado sobre o encerramento da exposição.

“Eu não fui consultado em nenhum momento sobre isso e ninguém do Santander entrou em contato comigo ainda. Sou absolutamente contra o fechamento”.

Confira, abaixo, a íntegra da nota do Santander Cultural sobre o caso.

 



Leia também: “Fascistas do MBL abortam exposição de arte”

*Com informações do Zero Hora 

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