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25 de junho de 2019, 08h12

The Guardian: Diplomatas brasileiros estão “enojados” com Bolsonaro, que “pulveriza a política externa Brasil”

Jornal inglês ouviu um grupo de ex-embaixadores e destaca que "considerada há muito tempo uma das jóias da política latino-americana", a diplomacia brasileira luta para "mascarar seu horror" nos seis meses de Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo

Bolsonaro e Ernesto Araújo (Foto: Divulgação)
Uma reportagem publicada nesta terça-feira (25) pelo jornal britânico The Guardian mostra que existe uma clara inconformidade dos diplomatas brasileiros com a política exterior impulsada pelo governo de Jair Bolsonaro e seu chanceler, Ernesto Araújo. Segundo o título da matéria, a postura do governo está “pulverizando a política externa do Brasil”. Inscreva-se no nosso Canal do YouTube, ative o sininho e passe a assistir ao nosso conteúdo exclusivo O texto começa dizendo que a atuação do Itamaraty era “considerada há muito tempo uma das jóias da política latino-americana; um serviço estrangeiro perspicaz, confiável e altamente treinado que ajudou a tornar...

Uma reportagem publicada nesta terça-feira (25) pelo jornal britânico The Guardian mostra que existe uma clara inconformidade dos diplomatas brasileiros com a política exterior impulsada pelo governo de Jair Bolsonaro e seu chanceler, Ernesto Araújo. Segundo o título da matéria, a postura do governo está “pulverizando a política externa do Brasil”.

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O texto começa dizendo que a atuação do Itamaraty era “considerada há muito tempo uma das jóias da política latino-americana; um serviço estrangeiro perspicaz, confiável e altamente treinado que ajudou a tornar o Brasil um líder climático global e peso pesado de soft power”.

Porém, logo afirma que com “seis meses de presidência de Jair Bolsonaro, até diplomatas veteranos lutam para mascarar seu horror com a demolição do escritório estrangeiro do país”.

A reportagem cita um grupo de ex-embaixadores brasileiros que têm tentado atuar para evitar as consequências do que consideram erros da política externa brasileira na atual gestão, como a aliança como os ultranacionalistas de direita – como Donald Trump, Steve Bannon e o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán –, a postura de contrariar alguns parceiros de longa data do Oriente Médio, ao abraçar o Israel de Benjamin Netanyahu e ameaçar transferir a embaixada do Brasil para Jerusalém; ou de contrariar também a China, tomando lado na guerra comercial desse país com os Estados Unidos.

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Além disso, os ex-embaixadores reclamam que o Brasil deveria ter uma posição de liderança mundial com respeito ao tema da crise climática, o que é impossível com a posição negacionista adotada tanto por Bolsonaro quanto por Araújo.

Entre os diplomatas ouvidos pela matéria, está Rubens Ricupero, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, que afirmou estar “enojado”, com a forma com que o atual governo vem conduzindo sua política externa. “O que eu ouço dos meus colegas que ainda estão ativos é que entre os funcionários diplomáticos há uma rejeição quase completa do ministro e da linha atual. Ele não é levado a sério dentro ou fora do ministério, porque representa uma espécie de seita”, disse Ricupero na matéria.

Outro que reclamou da atual política foi Roberto Abdenur, ex-embaixador na China, Alemanha e Estados Unidos, quem considera que “nossa atual política externa leva o Brasil de volta a um período da história em que o Brasil nem existia: a Idade Média”.

Por sua vez, Marcos Azambuja, ex-secretário geral do Itamaraty, também ouvido pelo The Guardian, disse que “houve uma mudança, e temo uma mudança para pior”. Ele lembra também que o Brasil sempre manteve ótimas relações com os Estados Unidos, mesmo durante o governo de Lula, mas que “tem cometido o erro de se aproximar demais do radicalismo de Trump e Steve Bannon”, reclama o ex-embaixador, que vê com preocupação, sobretudo, a influência de um dos filhos de Bolsonaro (Eduardo) sobre a política exterior brasileira.

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