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25 de maio de 2019, 12h52

Toffoli diz que prática de fake news já faz parte do processo eleitoral do país

Na avaliação do presidente do STF, esse ambiente também permite o avanço da narrativa de ódio. “São discursos que estimulam a divisão social a partir da dicotomia entre nós e eles e que remete ao fantasma das ideologias fascistas”, afirmou

Foto: Nelson Jr./STF
Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou que as notícias falsas já fazem parte do processo eleitoral em vários países do mundo, inclusive o Brasil. A afirmação foi dada na noite desta sexta-feira (24), durante o seminário Fake News: Desafios para o Judiciário, organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo. As informações são de Camila Boehm, da Agência Brasil. “Pesquisa realizada pelo Ideia Big Date e divulgada neste mês revelou que mais de dois terços das pessoas receberam fake news pelo Whatsapp durante a campanha...

Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou que as notícias falsas já fazem parte do processo eleitoral em vários países do mundo, inclusive o Brasil. A afirmação foi dada na noite desta sexta-feira (24), durante o seminário Fake News: Desafios para o Judiciário, organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo. As informações são de Camila Boehm, da Agência Brasil.

“Pesquisa realizada pelo Ideia Big Date e divulgada neste mês revelou que mais de dois terços das pessoas receberam fake news pelo Whatsapp durante a campanha eleitoral de 2018”, destacou Toffoli, ao classificar o fenômeno das fake news como abrangente e complexo. “Esse processo (de desinformação) pode colocar em risco os processos e os valores democráticos”.

Na avaliação do ministro, esse ambiente também permite o avanço da narrativa de ódio. “São discursos que estimulam a divisão social a partir da dicotomia entre nós e eles e que remete ao fantasma das ideologias fascistas conforme explica Jason Stanley em obra extraordinária recente “Como Funciona o Fascismo”’, ressaltou.

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Falta de controle

Ricardo Lewandowski, ministro do STF, destacou que houve uma divulgação “absolutamente incontrolável de fake news durante o período das eleições em 2018”. Para ele, o fenômeno é uma realidade com a qual a sociedade convive diariamente e deu exemplos de notícias falsas que circularam no país.

“Tivemos também o caso do kit gay, que foi amplamente divulgado, que o Ministério da Educação no Brasil teria disseminado nas escolas brasileiras um kit gay. O ministro da Educação teve que vir a público desmentir aquilo que era obviamente, a meu ver pelo menos, inverossímil”, mencionou.

“Tivemos o caso da Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro brutalmente assassinada, que de repente foi acusada de estar envolvida com o tráfico de drogas”, relembrou.

Em relação à influência das fake news em processos eleitorais, Lewandowski acredita que é preciso desenvolver instrumentos adequados para combatê-la. “Nós, da Justiça Eleitoral e do Poder Judiciário, deveríamos ter instrumentos para neutralizar a influência nefasta e negativa das fake news. Se a Justiça Eleitoral não estiver à altura de cumprir esse dever, é melhor fechar as portas e entregar a chave dos tribunais eleitorais aos partidos políticos”, enfatizou.

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