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03 de junho de 2019, 09h17

Trump chega a Londres minutos depois de xingar o prefeito da cidade pelo Twitter

Antes mesmo do avião presidencial tocar a pista do aeroporto de Stansted, os meios ingleses já discutiam os dois tuítes nos quais o mandatário estadunidense chamou o trabalhista Sadiq Khan de “muito burro” e “perdedor”.

Melania e Donald Trump chegam a Londres (Foto: Reprodução)
Sequer havia aterrissado em solo britânico, e já causava forte controvérsia no país. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, iniciou sua visita de Estado ao Reino Unido alguns minutos depois de publicar mensagens em sua conta de Twitter nas quais chamava o prefeito da cidade, Sadiq Khan, de “muito burro” e “perdedor”. Antes mesmo do avião presidencial tocar a pista do aeroporto de Stansted, os meios de comunicação da ilha já estavam discutindo os dois tuítes nos quais o mandatário estadunidense atacou Khan, e de quebra o comparou com um de seus tradicionais desafetos caseiros: o prefeito de Nova...

Sequer havia aterrissado em solo britânico, e já causava forte controvérsia no país. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”, iniciou sua visita de Estado ao Reino Unido alguns minutos depois de publicar mensagens em sua conta de Twitter nas quais chamava o prefeito da cidade, Sadiq Khan, de “muito burro” e “perdedor”.

Antes mesmo do avião presidencial tocar a pista do aeroporto de Stansted, os meios de comunicação da ilha já estavam discutindo os dois tuítes nos quais o mandatário estadunidense atacou Khan, e de quebra o comparou com um de seus tradicionais desafetos caseiros: o prefeito de Nova York, Bill de Blasio.

As mensagens diziam o seguinte: “Sadiq Khan, segundo todos os relatos que vi, faz um péssimo trabalho como prefeito de Londres, e tem sido insensatamente “desagradável” com o presidente dos Estados Unidos, de longe o mais importante aliado do Reino Unido. Ele é um perdedor de meia tigela que deveria se concentrar no problema da criminalidade em Londres, não em mim. Kahn me lembra muito do nosso mudo e incompetente prefeito de Nova York, Bill de Blasio, que também faz um trabalho terrível – que é apenas a metade de sua altura. Seja como for, chego com vontade de ser um grande amigo do Reino Unido, e estou ansioso por esta visita. Aterrissando agora!”.

As palavras de Trump não foram gratuitas. No domingo, Khan descreveu o presidente estadunidense como “um dos exemplos mais notórios de uma crescente ameaça global”, e o comparou sua linguagem à dos “fascistas do Século XX”.

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Filho de imigrantes paquistaneses, Khan é um destacado político do Partido Trabalhista britânico, representante de uma ala mais moderada, em comparação ao atual líder dessa legenda, Jeremy Corbyn, considerado mais progressista. Porém, Khan se destaca por sua postura em defesa dos direitos civis e das chamadas “causas identitárias”.

“O tratado mais importante da história”

O presidente estadunidense chegou ao país para uma visita de três dias, na qual vem acompanhado de sua esposa, Melania Trump. Foram recebidos por Jeremy Hunt, ministro de Relações Exteriores do país e uma das figuras que disputam atualmente a liderança do Partido Conservador, que foi recentemente abalado com a renúncia da primeira-ministra Theresa May.

Durante o fim de semana, ainda em Washington, Trump preparou sua viagem com uma série de elogios a alguns aliados específicos que mantém na ilha, como o próprio Hunt, mas também a Boris Johnson, o outro candidato conservado à sucessão de May, além do líder do Partido Brexit, Nigel Farage.

Em entrevista para meios locais, Jeremy Hunt tentou se esquivar das controvérsias pelas declarações de Trump. Ele disse que “eu não preciso concordar com tudo o que Donald Trump diz (…) mas sim lembrar que ele é presidente de nosso mais importante aliado, e veio aqui para celebrar o tratado mais importante da história”.

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As palavras de Hunt fazer referência ao Tratado de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, por sua sigla en inglês) e outros acordos bilaterais pendentes entre os países, a respeito dos quais Trump disse que “certamente será muito interessante. Há muita coisa acontecendo no Reino Unido, eles querem fazer negócios com os Estados Unidos e acho que há uma oportunidade para um acordo comercial muito grande em algum momento no futuro próximo. Vamos ver como isso funciona”.

O ministro Jeremy Hunt também admitiu que o encontro entre Trump e Theresa May, programado para a terça-feira (4/6), terá certos inconvenientes, devido ao status da primeira-ministra, que renunciou ao cargo, mas que ainda não foi substituída, já que a disputa pela liderança do Partido Conservador ainda está em aberto. “O encontro acontecerá, mas Trump poderá escolher se terá ou não uma reunião de Estado, como sempre acontece, antes ou depois do protocolo”.

Outra figura importante que se encontrará com Trump é o príncipe Harry, que terá um almoço com o magnata estadunidense, o qual não contará com a presença de sua esposa (a duquesa de Sussex, Meghan Markle), que está em licença maternidade. Também houve uma polêmica na imprensa dos dois países por possíveis ofensas do mandatário a ela, mas Trump negou ter feito qualquer declaração depreciativa a ela logo após chegar ao Reino Unidos.

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Segundo o The Guardian, as organizações sociais inglesas preparam grandes manifestações de repúdio ao visitante durante sua passagem pelo país.

Com informações do The Guardian.

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