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14 de março de 2019, 20h16

Um dia após atentado, Bolsonaro usa live de 15 minutos para enaltecer parceria com os EUA

Presidente abriu sua transmissão semanal no Facebook desta quinta-feira (14) citando rapidamente o atentado de Suzano e sem anunciar nenhum tipo de medida para prevenir este tipo de crime; sem mencionar o assassinato de Marielle, que hoje completa um ano, restante do tempo foi usado para defender "reaproximação" com os EUA e rechaçar o Mercosul

Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro, que levou seis horas para se pronunciar sobre o atentado que culminou em 10 mortes nesta quarta-feira (13) em Suzano (SP), finalmente tocou no assunto pela segunda vez na noite desta quinta-feira (14) na transmissão semanal que tem feito pelo Facebook. A menção ao ataque brutal que chocou o país e continua estampando manchetes de jornais no Brasil e no mundo, no entanto, foi sucinta: o presidente prestou rápidas condolências aos familiares das vítimas e não apresentou nenhuma proposta para evitar novas tragédias como essa. Se por um lado a tragédia de Suzano foi lembrada, o...

O presidente Jair Bolsonaro, que levou seis horas para se pronunciar sobre o atentado que culminou em 10 mortes nesta quarta-feira (13) em Suzano (SP), finalmente tocou no assunto pela segunda vez na noite desta quinta-feira (14) na transmissão semanal que tem feito pelo Facebook. A menção ao ataque brutal que chocou o país e continua estampando manchetes de jornais no Brasil e no mundo, no entanto, foi sucinta: o presidente prestou rápidas condolências aos familiares das vítimas e não apresentou nenhuma proposta para evitar novas tragédias como essa.

Se por um lado a tragédia de Suzano foi lembrada, o assassinato de Marielle Franco, que completou um ano nesta quinta-feira (14), sequer foi mencionado por Bolsonaro.

O restante do tempo da live, que teve duração de 15 minutos, foi usado, em sua maioria, para enaltecer a “reaproximação” entre o Brasil e os Estados Unidos.

Antes de começar a falar da “parceria” com os estadunidenses, o presidente falou sobre o decreto que baixou para cortar 21 mil cargos comissionados, cargos de confiança e gratificações. Depois, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, falou sobre a distribuição de 1 milhão de mil novas vacinas contra a gripe em Manaus.

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O capitão da reserva, então, dedicou mais alguns minutos para classificar como fake news uma matéria da Folha de S. Paulo sobre a exportação de bananas do Equador. Na sequência, Bolsonaro disse que gostaria de participar da ação do Ministério da Saúde, mas que estará nos Estados Unidos.  O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, então, tomou a palavra e começa a tergiversar sobre supostos negócios com empresas norte-americanas e o governo de Donald Trump.

De acordo com Araújo, que embarcará com Bolsonaro para os EUA na semana que vem, o Brasil retomará uma parceria histórica com o país que, segundo ele, teria sido interrompida nos últimos anos. Sem detalhar, o ministro afirmou que pretende trazer “coisas da área de tecnologia, segurança e biodiversidade”. Tabelando com o ministro, Bolsonaro fez uma enfática defesa da entrega da Base de Alcântara, no Maranhão, para o uso comercial dos Estados Unidos.

“Sem tecnologia americana ninguém faz lançamento de satélite”, afirmou Araújo, considerado pela revista estadunidense Jacobin como “o pior diplomata do mundo”.

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Entre outras medidas, o presidente e o chanceler prometeram colocar novamente o brasão do país nos passaportes e “dar um jeito legal” de acabar com as placas de carro do Mercosul. “Não traz benefícios. É um constrangimento”, disse Bolsonaro.

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