o colunista

por Cleber Lourenço

14 de junho de 2019, 06h00

Um grande acordo nacional com a extrema direita, com o judiciário, com tudo

Cleber Lourenço: “A democracia pediu socorro às vésperas da eleição mais importante dos últimos tempos, mas não foi atendida. Não deveriamos permitir que um candidato racista, homofóbico e misógino ocupasse o cargo mais alto deste país”

Foto: Reprodução Vídeo

Após o golpe de 2016, que culminou no impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e que teve participação da Operação Lava Jato – e sua indústria da delação premiada –, da oposição oportunista e da mídia, o Brasil escancarou uma nova face obscura: a politização do Judiciário.

Somado ao impeachment, a condenação do ex-presidente Lula, em janeiro de 2018, no caso do triplex é outra evidência da parcialidade do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Apesar de haver toneladas de testemunhas e documentos comprovando que a construtora OAS permaneceu como proprietária do apartamento no Guarujá, Lula foi condenado em segunda instância a 9 anos e 6 meses de prisão.

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Além dos desembargadores da Lava Jato, muitos membros do Judiciário brasileiro estão deixando seus rastros de opinião política nas redes sociais e na internet. O fato é bastante preocupante, já que esses profissionais deveriam ser isentos politicamente para não comprometerem seus julgamentos e, inclusive, são proibidos de emitir qualquer opinião política (tema já foi discutido no último Congresso Brasileiro de Magistrados).

Para melhorar

Fiz uma lista lista de membros do Judiciário que mostram parcialidade e opiniões de direita:

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Ailton Benedito (procurador e chefe do Ministério Público Federal em Goiás)

Notório reacionário e defensor do Projeto “Escola sem Partido”, o promotor Ailton Benedito instaurou um Procedimento Preparatório na UFG, em 2016, para apurar se a instituição estaria sendo utilizada para promoção de manifestações político-partidárias.

Promoveu, inclusive, uma audiência pública para tratar do assunto, mas convocou apenas duas organizações da sociedade civil: o Movimento Vem Pra Rua e o Movimento Brasil Livre, ambos de direita.

Este ano, quando o MBL teve uma série de páginas retiradas do ar pelo Facebook por disseminarem notícias falsas, o procurador saiu em defesa do grupo pedindo explicações para a empresa norte-americana.

Ailton também é famoso por compartilhar sandices da direita brasileira como essa aqui:

https://twitter.com/AiltonBenedito/status/896704074900533248

Marcelo Bretas (Lava Jato do Rio de Janeiro)

Foi “flagrado” pela equipe da Folha de S. Paulo curtindo postagens de Bolsonaro ao longo da campanha, além de ter compartilhado notícias sobre o candidato e mensagens sobre escolha de voto.

Marília de Castro Neves Vieira (Desembargadora do Rio de Janeiro)

Ficou conhecida por afirmar que o líder negro Zumbi dos Palmares é “um mito inventado” e por emitir informações falsas sobre a vereadora Marielle Franco (PSOL), à época de seu assassinato (março de 2018).

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Thiago Brandão Boghi (Juiz do TJ de Santa Helena, em Goiás)

Fã de Sérgio Moro, já enquadrou o MST como “organização criminosa” e citou “o presidenciável Bolsonaro” como referência para negar, em sentença, um direito a um réu condenado por roubo.

Marcelo Matias Pereira (Juiz da 10ª Vara Criminal de São Paulo)

Ficou conhecido no caso dos ativistas Rafael Marques Lusvarghi, de 29 anos, e Fábio Hideki Harano, de 27, que haviam sido presos em 23 de junho, durante protesto contra gastos com a Copa do Mundo. Os manifestantes foram classificados por ele de “black blocs” de “esquerda caviar”. O mesmo juiz também inocentou Danilo Gentili do crime de racismo após o humorista ter oferecido bananas a um negro.

Eduardo Luiz Rocha Cubas (do Juizado Especial Federal Cível de Formosa, em Goiás)

O juiz Luiz Rocha Cubas pretendia aprovar liminar para que urnas fossem recolhidas pelo Exército no final do próximo dia 5 de outubro. Tratei deste caso com mais detalhes ainda esta semana neste blog, Eduardo Rocha foi afastado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após uma denúncia da Advocacia Geral da União (AGU) comprovar que o magistrado pretendia se aproveitar do cargo para atingir objetivos políticos, em especial inviabilizar a realização das eleições ou desacreditar o processo eleitoral como um todo.

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Thompson Flores (presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4)   

Ficou conhecido pelos esforços e manobras para manter a prisão de Lula e por negar seu pedido de habeas corpus, em julho de 2018. O problema é que o magistrado foi flagrado em evento ao lado do General Mourão (atual vice do candidato Jair Bolsonaro) e tratado como “amigo pessoal” do militar, conforme noticiado no A Coluna. Lembrou de alguém?

A democracia pediu socorro às vésperas da eleição mais importante dos últimos tempos, mas não foi atendida. Não deveriamos permitir que um candidato racista, homofóbico e misógino ocupasse o cargo mais alto deste país. E ainda não podemos permitir que o Judiciário se una a candidatos como este e tome decisões parciais, que comprometam os rumos de toda a população brasileira.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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