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29 de maio de 2019, 12h35

Um padre e três falsas freiras são acusados de escravizar noviças em Portugal

Segundo o Ministério Público português, as jovens noviças que passaram pela Fraternidade Missionária de Cristo Jovem sofreram “agressões físicas, injúrias, pressões psicológicas e castigos de diferentes tipos, sujeitas a trabalhos pesados, humilhações constantes e acesso restrito a comida, cuidados médicos e espaços de liberdade”.

O padre Joaquim Milheiro (Reprodução/YouTube)
Os noticiários em Portugal amanheceram nesta quarta-feira (29/5) com a notícia da denúncia formal de um caso chocante de tortura e escravidão na cidade de Vila Nova de Famalicão, e envolvendo a Fraternidade Missionária de Cristo Jovem. O padre Joaquim Milheiro Valente e três mulheres (Maria Arminda Costa, Maria Isabel Silva e Joaquina Carvalho, tratadas internamente como freiras, apesar de não serem formalmente ordenadas) que trabalhavam com ele na administração da Fraternidade, e também da IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social), são acusados pelo crime de tortura e escravidão contra nove mulheres que foram noviças na paróquia. Segundo o Ministério...

Os noticiários em Portugal amanheceram nesta quarta-feira (29/5) com a notícia da denúncia formal de um caso chocante de tortura e escravidão na cidade de Vila Nova de Famalicão, e envolvendo a Fraternidade Missionária de Cristo Jovem.

O padre Joaquim Milheiro Valente e três mulheres (Maria Arminda Costa, Maria Isabel Silva e Joaquina Carvalho, tratadas internamente como freiras, apesar de não serem formalmente ordenadas) que trabalhavam com ele na administração da Fraternidade, e também da IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social), são acusados pelo crime de tortura e escravidão contra nove mulheres que foram noviças na paróquia.

Segundo o Ministério Público português, as jovens noviças que passaram pela instituição entre os anos de 1985 e 2015 sofreram “agressões físicas, injúrias, pressões psicológicas e castigos de diferentes tipos, além de estarem sujeitas a trabalhos pesados, humilhações constantes e ter acesso restrito a comida, cuidados médicos e espaços de liberdade”.

As investigações do MP apontam a falsa freira Maria Arminda Costa como a principal agressora, mais até que o padre Milheiro. Ademais, relata que havia um modus operandi no atuar do padre e das falsas: “seus alvos tinham sempre o mesmo perfil, eram mulheres jovens de origem humilde, piedosas, tementes a Deus, com poucas qualificações ou emocionalmente fragilizadas, e que queria integrar uma comunidade espiritual católica”.

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Logo, elas eram convencidas de terem sido escolhidas por Deus, “e que, portanto, deviam seguir a vida religiosa, pois caso negassem suas vocações receberiam castigos divinos, em forma de problemas pessoais ou familiares, como mortes na família”.

Alguns dos castigos e humilhações descritos pela acusação dão uma ideia do que as vítimas sofreram durante os anos em que estiveram na Fraternidade: as noviças eram proibidas de tomar banho, às vezes dormiam no chão e ao lado dos cachorros, eram obrigadas a se autoflagelar e a andar nuas pelo jardim. O acesso à televisão e qualquer atividade de recreação tampouco eram permitidos.

O MP também revelou que uma das vítimas da Fraternidade se suicidou em 2004, atirando-se em um tanque de água que havia na propriedade, após mais de 20 anos de abusos. A investigação afirma que a acusada Maria Arminda da Costa a mantinha como vítima preferida de suas agressões, e que na noite anterior à sua morte serviu a ela uma janta com os excrementos dos cachorros, como forma de castigo após ter sido flagrada olhando para uma televisão.

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Entre as outras oito noviças cujos casos foram levantados, apenas cinco aceitaram testemunhar na Justiça, além de outros três casos que já prescreveram e os de outras duas mulheres que fugiram da instituição na década passada e jamais foram localizadas. Contudo, os promotores acreditam que ainda pode haver mais vítimas que não quiseram sair do anonimato.

Com informações do Observador.

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