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27 de março de 2014, 17h51

Vídeo flagra abuso sexual em ônibus e gera revolta na internet

Nas imagens, homem retira o órgão genital da calça e encosta em mulher. Registro foi publicado em uma página do Facebook, no último sábado

Nas imagens, homem retira o órgão genital da calça e encosta em mulher. Registro foi publicado em uma página do Facebook, no último sábado Por Pragmatismo Político, Um vídeo que mostra uma cena de abuso dentro de um ônibus da Grande Vitória está circulando pela internet e despertou a revolta de muitos usuários das redes sociais. Nas imagens, um homem é flagrado colocando o órgão genital para fora da calça, encostando-o em um mulher que também fazia uso do coletivo. O vídeo foi publicado em uma página do Facebook, no último sábado (22). Segundo a publicação, o ônibus seria da...

Nas imagens, homem retira o órgão genital da calça e encosta em mulher. Registro foi publicado em uma página do Facebook, no último sábado

Por Pragmatismo Político,

Um vídeo que mostra uma cena de abuso dentro de um ônibus da Grande Vitória está circulando pela internet e despertou a revolta de muitos usuários das redes sociais. Nas imagens, um homem é flagrado colocando o órgão genital para fora da calça, encostando-o em um mulher que também fazia uso do coletivo. O vídeo foi publicado em uma página do Facebook, no último sábado (22). Segundo a publicação, o ônibus seria da linha 591, Serra x Campo Grande, na Grande Vitória. Nos comentários, muitos usuários classificaram a atitude como “nojenta” e lamentaram não ser possível identificar o homem pelas imagens.

O agressor utiliza um buraco no bolso da calça, aparentemente feito de forma proposital, para encostar órgão genital na mulher. De costas e em meio a vários outros passageiros, a vítima parece não perceber a situação, e não reage. Após dois dias no ar, o vídeo já contabilizava mais de 280 compartilhamentos nesta segunda-feira (24). Os comentários, quase 300, são em grande maioria de usuários revoltados com a situação. Muitos acusam o autor da filmagem, que não foi identificado, de ter sido conivente com o abuso por não se manifestar diante do flagrante.

Segundo a Delegada da Mulher de Vitória, Arminda Rodrigues, as denúncias relacionadas a esse tipo de crime são quase inexistentes na capital. “Nós não temos dados, não temos estatísticas. Temos registros de apenas um ou dois casos”, disse. Para ela, a fragilidade da lei é o que desencoraja as vítimas de abuso sexual. “As pessoas têm muito medo de denunciar. Imagine que essa mulher anda sempre nessa linha e faz a denúncia. A lei é precária e ela vai ficar correndo risco. Muitas mulheres não denunciam por causa fragilidade da legislação”, lamentou.

Além da falta de medidas protetivas às vítimas, outra questão contribui para que casos como esse continuem acontecendo. A delegada explica que para que um crime seja classificado como estupro, por exemplo, a vítima precisa se manifestar e denunciar a situação. “No caso desse vídeo, a mulher nem viu o fato. Se ela não se sentiu ultrajada ou não se manifestou, não podemos configurar esse crime como estupro. Esse crime depende da representação da vítima, a pessoa que sofreu o abuso precisa se manifestar”, disse.

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Isso significa que mesmo o crime tendo sido registrado em vídeo, sem a denúncia feita pela vítima, o homem responderá apenas por um crime cuja pena é uma multa. “Nesse caso, se identificado, o homem vai responder por importunação ofensiva ao pudor, que é uma contravenção penal. Ele paga uma multa e vai embora”, explica Arminda.

Como denunciar

A delegada alerta que é preciso cautela ao denunciar abusos cometidos dentro de coletivos. Para ela, a situação é propícia à fuga do suspeito, e pode dificultar sua identificação. “É difícil encontrar o suspeito, porque se a mulher se manifesta, ele salta no próximo ponto e vai embora. Aí nós não sabemos quem ele é, onde ele mora. Infelizmente ainda é muito complicado punir agressores que atuam dessa forma”, disse. Ela explica que a vítima deve se dirigir imediatamente a uma delegacia e fazer a denúncia, descrevendo as características do agressor, para que seja feito um retrato falado.

Foto de capa: Reprodução Diário de SP

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