O Planeta Azul – A crise está no limite: Entrevista com Ladislau Dowbor

Na parceria da Fórum com o canal O Planeta Azul desta semana, confira a entrevista com o economista Ladislau Dowbor. Segundo o professor da PUC-SP, "nossos problemas não são econômicos, mas de organização político-social”

Por O Planeta Azul

O Brasil tem recursos para garantir a volta do auxílio emergencial de R$ 600, segundo o economista e professor da PUC de São Paulo Ladislau Dowbor. Além disso, também seria possível estabelecer uma renda básica universal que geraria efeitos multiplicadores na economia global.  De acordo com o professor, se dividíssemos o PIB mundial, hoje na ordem de US$ 83 trilhões, daria R$ 18 mil por mês para cada família de quatro pessoas em todo o planeta durante um bom tempo.

Para Dowbor, nossos problemas não são econômicos, mas de organização político-social, o que está levando o país e o mundo ao limite de uma crise sem precedentes.

Economistas ortodoxos e representantes do mercado falam em déficit, “país quebrado” e “austeridade”. Usam termos complicados para justificar o injustificável: a capitulação do Estado à rapinagem do mercado financeiro, em detrimento aos interesses coletivos que representa. O Brasil tem recursos para garantir não apenas a volta do auxílio emergencial de R$ 600, como também uma renda básica universal em equilíbrio com uma vasta infraestrutura de política sociais, o que, de acordo com Dowbor, geraria efeitos multiplicadores.

Primeiro, garantiria dinheiro no bolso a milhões de famílias afetadas pelo desemprego, que já não contam com recursos para garantir o aluguel ou comida à mesa. Reduziria, portanto, o avanço cruel da miséria no país. Também evitaria que o estoque de capacidade de produção fique parado, o que gera inflação, e poderia dinamizar a produção e o comércio brasileiros, gerando milhões de empregos. Além disso, 40% dos recursos investidos na renda básica voltam para o Estado, na forma de imposto, e poderia servir para alavancar educação, moradia, saúde, transporte e segurança pública. Reorientaria a economia para o bem-estar.

Segundo o economista, precisamos transformar a arquitetura do processo decisório se quisermos reverter esse caminho ao desastre.