Conheça a ativista e feminista negra, uma das principais difusoras do pensamento de Paulo Freire nos EUA 

bell hooks 

Por Marcelo Hailer
Arte: Guilherme Almeida

Fotos: Reprodução

Gloria Jean Watkins se tornou mundialmente conhecida pelo pseudônimo bell hooks, que era uma homenagem a sua avó - Bell Blair Hook

A autora assinava com letras minúsculas por um motivo político e desprendimento por uma identidade fixa. Assim como a sua obra, bell hooks viveu em permanente movimento 

bell hooks morreu em 15 de dezembro de 2021, deixando mais de 30 livros publicados. Sua obra de estreia, "E eu não sou uma mulher?" (1981), logo se tornou uma leitura obrigatória na construção do feminismo negro

Em 1994, com a publicação de "Ensinando a transgredir", hooks passa também a ser uma referência na construção de uma educação pública e crítica nos EUA 

Ao ler a obra de Paulo Freire, com quem manteve troca acadêmica ao longo de sua vida, bell hooks reencontra o sentido da educação e passa a estabelecer um contato direto com a obra de Freire

"Paulo Freire foi um dos pensadores do qual o trabalho deu-me uma linguagem. Ele me fez pensar profundamente sobre a construção de uma identidade na resistência”

bell hooks

“Existe uma frase de Freire que se tornou um mantra revolucionário para mim: ‘Nós não podemos entrar na luta como objetos para nos tornarmos sujeito mais tarde’”

bell hooks

bell hooks e Paulo Freire se encontrariam algumas vezes ao longo de suas vidas. Em um desses encontros, numa universidade onde Freire ministrava uma palestra, hooks o criticou por usar termos sexistas

Freire não só acatou as críticas como abandonou o uso de tais termos. hooks revelaria que essa experiência a faria amar ainda mais o trabalho de Freire, pois ele havia colocado em prática aquilo que ensinava

Paulo Freire e bell hooks não estão mais entre nós, mas deixaram uma vasta obra. Confira 6 livros para iniciar a leitura de hooks

Foi o livro de estreia do autor que, com apenas 24 anos, chamou a atenção da crítica literária pela profundidade dos personagens e é considerado um dos primeiros romances sociais da Rússia

E eu não sou uma mulher? Mulheres negras e feminismo (Ed. Rosa dos Tempos) 

Nesta obra, bell hooks defende que a revolução feminista negra é uma luta pela libertação de todes e também um pacto ético, político, teórico e prático

Teoria feminista: da margem ao centro
(Ed. Perspectiva)

O livro que inaugura as teses de bell hooks sobre educação popular e crítica e um diálogo com Paulo Freire para pensar uma educação que não seja bancária (de cartilha) e que seja crítica e libertadora 

Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade
(Ed. Martins Fontes)

Aqui a autora centra os seus textos na questão da descolonização, a educação engajada e que também tenha papel ativo na desconstrução do pensamento machista, racista e LGBTfóbico

Ensinando pensamento crítico: Sabedoria prática (Ed. Elefante)

bell hooks apresenta 16 "ensinamentos" para a construção de uma educação não sexista, racista e que aborde as diferenças não como algo a desunir, mas sim para construir potências transformadoras 

Ensinando comunidade: Uma pedagogia da esperança
(Ed. Elefante)

bell hook analisa de que maneira o cinismo e o egoísmo tomaram conta daquilo que chamamos de amor, resgatando o amor como uma relação de ética, amizade e lealdade

Tudo sobre o amor: Novas perspectivas
(Ed. Elefante)

Veja outras matérias em 
revistaforum.com.br