Ativismo de Sofá

por Flávia Simas, Kel Campos e Thaís Campolina  

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25 de abril de 2014, 14h08

Moça, a culpa não é sua.

Texto de Thaís Campolina

Moça, hoje eu escrevo para você. Sei que muitas vezes você ouviu que a culpa foi sua, que você poderia ter evitado, mas esse texto quer passar uma mensagem muito diferente dessa que todas nós estamos cansadas de ouvir (ou ler). Sei que talvez você ouviu culpabilizações de alguém bem próximo em que você confia/confiava e que você contou o que aconteceu esperando uma palavra de apoio e um abraço e quando esse apoio não veio, você sentiu o peso dessa culpabilização recair em você e acreditou que foi culpa sua. Sei que talvez você não tenha acreditado por completo, mas ainda assim, se sente culpada.
 
Moça, acredite em mim, acredite em nós, você não tem culpa alguma. Ao contrário do que te disseram, seu short curto, sua calça justa, o fato de você ter bebido, o caminho que você percorreu, nada disso faz com que a culpa seja sua. A culpa é do agressor. A culpa é do estuprador. 
Moça, o corpo é seu e seus sentimentos, suas vontades e suas escolhas importam. A culpa é de quem ignora seu não e passa em cima do seu consentimento. Moça, lembre-se, a culpa não foi sua.
Moça, eu não me esqueci de você que sofreu violência do seu parceiro e esteve em um relacionamento abusivo e ouviu que a violência que você sofria foi causada por você. Você não tem culpa, moça. E eu sei que talvez você pode ter ouvido isso de policiais, mas o fato deles serem policiais não transforma o que eles disseram em verdade.

Moça, não tem nada de errado em tirar fotos nuas e filmar momentos íntimos. O que é errado e criminoso é divulgar essas fotos e o vídeo sem o seu consentimento. A culpa não é sua. Sei que estão te ofendendo e te culpando, mas a culpa é de quem violou seu direito à intimidade. 
 
Moça, talvez você tenha ouvido ou lido que o seu sofrimento é um exagero e eu sinto muito por isso, mas além de culpar a vítima, o machismo e a misoginia também faz questão de desmerecer a voz das mulheres que sofreram violência ou estão sofrendo para silenciá-las. E a forma que eles tem de desmerecer é banalizar diversas agressões e duvidar dos relatos de violência.
 
Moça, a culpa não foi sua, quando você foi encoxada no metrô. Você tem direito à cidade, você tem direito a utilizar o transporte coletivo sem sofrer violência sexual. A roupa que você usava no momento não importa, você não teve culpa disso ter acontecido.
 
Moça, a culpa não é sua. E nós estamos aqui para te lembrar disso quantas vezes você precisar. Estamos aqui para ouvir você, estender a mão para você e oferecer nossa solidariedade para que você se empodere.

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