Ativismo de Sofá

por Flávia Simas, Kel Campos e Thaís Campolina  

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12 de Maio de 2016, 13h27

Mulher e política: a persistência do machismo.

Texto de Thaís Campolina baseado em tweets publicados por ela em sua conta pessoal.

Manchetes de hoje (12/05) anunciam o afastamento da Dilma por causa do processo de impeachment e dizem que o governo Temer será o primeiro a não ter nenhuma mulher como ministra desde Geisel. Um inegável retrocesso. Mas nem todos vêem isso dessa forma. Nos comentários das matérias que falavam sobre a composição dos ministérios do vice-presidente, encontrei frases como “depois da Dilma, mulher tem que ficar longe do governo mesmo”, ditas inclusive por outras mulheres. Comentários que são exemplo de como o Brasil ainda é machista.

Não vemos pessoas dizendo “depois de Cunha não tem mais que ter homem nenhum no poder” e isso não acontece simplesmente porque o espaço político é considerado masculino. A política pertence a eles desde sempre. O outro motivo que leva isso acontecer é o fato de que os erros e defeitos das mulheres são considerados características de todas nós. Um defeito do nosso gênero.

Um político homem ser incompetente não faz com que toda a sociedade passe a ver homens como incompetentes na política. No caso deles, a máxima é “nem todo homem”. O estereótipo de “político é assim mesmo” pode até existir, mas ele não se estende aos homens num todo, apenas aos políticos. Com mulheres é diferente. Se uma é incompetente numa atividade como administrar um país, fazer uma baliza com facilidade, resolver questões de matemática, todas são.

"Nossa, você é ruim em matemática". "Nossa, garotas são ruins em matemática."

“Nossa, você é ruim em matemática”. “Nossa, garotas são ruins em matemática.”

Definir todas as mulheres pelo erro/característica de uma é desumanização, é machismo. Mulheres são diferentes entre si e tem talentos, características e dificuldades diversas. Não alimente o “Só podia ser mulher”. Não duvide da capacidade de uma mulher em fazer algo porque outra, na sua opinião, não fez isso bem. O “Só podia ser mulher” não pode ter lugar no trânsito, nem na sala de aula, nem na política ou nem qualquer outro espaço.

O machismo na política não se apresenta  só dessa forma. Os constantes comentários sobre a aparência de mulheres que tem cargos públicos são parte desse fenômeno, como se fosse um lembrete de que a função das mulheres no mundo ainda é enfeitar em primeiro lugar. Também é comum comentários acerca da estabilidade emocional das políticas. Insinuar que a mulher é louca e por isso incapaz de gerir a Coisa Pública chega a ser anacrônico, já que se baseia nos argumentos do passado que defendiam que a mulher não deveria votar e ser votada por ser emocional demais, logo incapaz e na própria história de termos como “histeria feminina”. Além disso, vale lembrar também do uso de termos machistas e misóginos para xingarem políticas. Do adesivo que insinua um estupro até mesmo o termo “vadia”.

O Brasil tem números vergonhosos de representação feminina na política e eles ficam ainda mais vexaminosos se analisamos quantas mulheres negras ou indígenas estão presentes nesse espaço. E isso nos prejudica, porque a falta de pluralidade e o fato da representação política não representar minimamente o povo mantém parte da população à margem das decisões políticas, que continuam sendo tomadas por esse grupo seleto que tem muito pouco a ver com o que o povo é. E além disso, faz com que a mentalidade de que determinados espaços não são ideais para determinados grupos sociais permaneça intocada. E isso alimenta discursos como o de que mulheres não conseguem ser boas governantes porque uma foi considerada ruim e falas como a de Danilo Gentili. Ele postou em seu twitter: “Senadora? Achei que era a tia do café”, quando Regina Sousa, única senadora negra, que é também nordestina, proferia seu voto. Adicionando racismo, ao machismo rotineiro que as mulheres nesse meio lidam.

Bons links:

Vídeo do Canal Tititias sobre como xingar a Dilma com ofensas misóginas só atrapalha a discussão do que importa.

Vídeo do Canal Tititas sobre como o termo “louca” para xingar mulher tem uma carga histórica que deve ser levada em conta.


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