Ativismo de Sofá

por Flávia Simas, Kel Campos e Thaís Campolina  

O que o brasileiro pensa?
06 de março de 2013, 15h21

Oito de março é dia de luta.

Texto de Thaís e Flávia. 

Não é novidade para ninguém que o oito de março, uma data que deveria reforçar a necessidade da nossa luta para sermos vistas e respeitadas como ser humano, é visto pela mídia e pela sociedade como mais um dia para reafirmar ideais de feminilidade.

Campanha da Prefeitura de PoA.

A Prefeitura de Porto Alegre, por exemplo, em sua página no Facebook, postou uma série de afirmações que iniciavam com um “só uma mulher sabe”. E as frases utilizadas para complementar a chamada são exemplos do estereótipo do que é “ser mulher”. A nossa existência não pode ser resumida, em nenhum dia do ano, a apenas chegar em casa e enfim poder tirar o salto alto ou em ficar triste porque estragou o esmalte recém passado.
  
A problemática desse tipo de manifestação que resume as mulheres a enfeites, seres frágeis ou quase mágicos por aguentar tripla jornada e poder ter filhos não está só no fato de que o oito de março é um dia de luta, mas também se encontra na reafirmação do que é “ser mulher”.

O dia oito de março é cheio de homenagens que nos colocam num pedestal. A mulher ideal para a sociedade patriarcal é aquela que se sacrifica diariamente e é vista como forte por isso, aquela que aguenta calada xingamentos, ofensas em forma de piada e a restrição de seus direitos. E é por isso que é tão comum vermos comentários como “parabéns mulheres por aguentarem tudo”. Sacríficio é algo considerado bonito, principalmente para quem é mulher. Porque quem é mulher parece ter que ser punida diariamente por isso, com salários menores, com tripla jornada e etc.

Banner da programação da semana da mulher.

Quando a mídia e a sociedade nos parabeniza por ser mulher, foca todas as ações do oito de março em distribuir flores e chocolates, fazer promoções de itens de consumo voltados para a vaidade feminina, ela não só reforça os papéis de gênero, como também negligencia como a violência contra a mulher continua sendo um problema sério. É fácil distribuir cartõezinhos e se esquivar de discutir em profundidade a guerra contra as mulheres em que se encontra o mundo. Porque ao discutir com profundidade nota-se que o problema é a cultura de ódio em que vivemos. Uma cultura misógina, machista, homofóbica, transfóbica, lesbofóbica e racista. 

Os feminicídios ainda são chamados de “crimes passionais”, as “cantadas” que ouvimos na rua desde cedo são chamadas de elogios, a objetificação das mulheres ainda é rotineira. Os salários das mulheres continuam sendo cerca de 30% mais baixos que o dos homens, sendo que a mulher negra ganha ainda menos que uma mulher branca. 
  

Campanha resposta.

Oito de março é um dia de luta contra esse ideal de feminilidade tão excludente e opressor. É o dia de falarmos que não precisamos “aguentar caladas”, de jogar fora essa idéia de que é legal se sacrificar, de incentivar a solidariedade feminina e nos empoderar. Nos empoderar para lutarmos não só nesse dia, mas diariamente.

Oito de março é um dia para lembrarmos que a nossa luta é diária, que a cada passo que damos para melhorar a vida das mulheres, a sociedade se encarrega de “nos colocar em nosso lugar”, em um backlash que coloca à prova a nossa força. Às vezes o desânimo toma conta de nós, pois parece que nada muda. É por isso que datas como o oito de março são tão importantes. Porque é através das “homenagens” que recebemos, que fazem questão de celebrar um sistema castrador e opressivo, que encontramos força para protestar. Oito de março é dia de dizer: o sistema tem que mudar.


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