Blog do George Marques

direto do Congresso Nacional

Ouça o Fórumcast, o podcast da Fórum
24 de junho de 2019, 14h56

”Quando casei com Malu, perdi os meus direitos”, diz Daniela Mercury no Congresso Nacional

Cantora e esposa participaram de sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem aos 50 anos do levante de Stonewall; Malu Mercury disse que casamento das duas foi 'ato político'

Foto: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados

Daniela Mercury, 53, e sua esposa Malu, 42, estiveram no Congresso Nacional na manhã desta segunda-feira (24) para serem homenageadas em sessão solene pelos 50 anos da revolução de Stonewall nos EUA, realizada pela comunidade LGBT contra a invasão da polícia em 1969 ao bar Stonewall Inn, em Nova York. Na ocasião, a cantora disse que se sentia honrada em falar pela comunidade LGBTQ+, e lamentou a falta de direitos, mesmo estando vivendo dentro de uma democracia.

“Eu era casada com homens e quando casei com Malu, perdi todos os meus direitos”, lembrou, citando como exemplo a questão dos nomes das mães no RG dos filhos. “Vocês entendem a inversão? Que loucura. Como as pessoas não têm seus direitos básicos contemplados? Como, dentro de uma democracia, deixamos isso acontecer?”

A esposa Malu pontuou: “São coisas pequenas, simples, que parecem inofensivas, mas que causam um profundo constrangimento a nossa família, a nossa comunidade LGBT”.

Daniela foi uma das atrações da Parada do Orgulho Gay, em São Paulo, nesse domingo. A artista se assumiu homossexual em 2013, e hoje é militante da causa e luta contra o preconceito e a violência contra a comunidade gay e trans no Brasil.

A cantora ainda afirmou que sempre se sentiu livre, e que hoje se vê “maravilhosa, uma lésbica inteligentíssima, talentosa e de sucesso”. Em contraponto, lamentou que tenha escutado por anos que a homossexualidade é uma doença, um pecado, ou simplesmente que “não é certo”. “É certo sim, e eu sou muito feliz”, disse.

“Que cada um comece a lutar para quebrar as paredes construídas pela sociedade, principalmente sobre o amor próprio. Nos marginalizaram, e continuam a fazer isso à luz do dia, num país democrático”, disse. “Vamos continuar a pressionar”.

Ao final, emocionada, Daniela convidou os presentes a ficarem de pé e entoarem “Canto Da Cidade”. “A gente tem que se celebrar. […] Obrigada pelo esforço, pelo sofrimento. E desculpe pelo sofrimento que tantos passaram ate hoje”.

O levante de Stonewall

O chamado “levante de Stonewall” foi uma série de manifestações de membros da comunidade LGBTI+ contra as invasões da polícia de Nova York que começou em 28 de junho de 1969, no bar Stonewall Inn, e durou três dias.

Na batida policial, homens que estivessem vestidos de mulher eram presos. Mas, nesse dia, os clientes se recusaram a sair com os policiais ou irem ao banheiro ter o sexo verificado ou a mostrar a identificação.

A polícia novaiorquina reagiu de forma violenta, com agressões e espancamentos, e decidiu levar todos para a delegacia. Uma multidão começou a crescer do lado de fora do bar, e as pessoas presentes começaram a se defender e a lutar contra os oficiais.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum