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20 de fevereiro de 2019, 22h45

Banqueiros ganharão com Reforma em cima dos mais pobres, diz ex-ministro da Previdência

Berzoini diz que “quem escreveu essa reforma não conhece realidade brasileira” e critica a ausência dos militares na proposta de Bolsonaro e idade mínima de 60 anos para professores e trabalhadores rurais

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Em entrevista ao blog nesta quarta-feira (20), o ex-ministro da Previdência Social nos governos do ex-presidente Lula (PT), Ricardo Berzoini (PT), criticou a texto final apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Segundo ele o segmento que mais vai lucrar com essa proposta serão os banqueiros e o sistema financeiro do país. O ex-ministro também criticou a exclusão de militares e a idade mínima de 60 anos para professores e trabalhadores rurais.

Para Berzoini, o sistema financeiro é o principal interessado na implantação do sistema de capitalização, assim como os bancos com ativos financeiros no país e no exterior. Ou seja, ele vislumbra que no curto prazo esses segmentos ganharão muito dinheiro a custo dos mais pobres.

“O professor não suporta chegar nessa idade trabalhando com capacidade efetiva. Certamente esse povo que escreveu essa reforma não conhece o ensino público no interior do país”, diz Berzoini. “Então quando o Constituinte de 88 fez a idade de contribuição especial para professores, foi uma forma de reconhecer as peculiaridades que tem um professor brasileiro hoje”, complementa o ex-ministro.

Berzoini avalia que o problema central da Previdência, o financiamento, não foi atacado pela proposta de Bolsonaro. De acordo com ele o desemprego foi responsável por 70% do desequilíbrio nas contas públicas. “As bancadas alinhadas à defesa dos trabalhadores poderiam forçar uma reforma tributária que antes pegue os tubarões, para só depois abrir uma discussão do que pode ou não ser mudado na Previdência”, defende o ex-ministro.

“Eles só querem cortar despesas e cortam do trabalhador. Ou seja, no texto que eles apresentaram praticamente não tem ninguém privilegiado, mas apenas trabalhadores que lutam para poder sobreviver em momentos de crise aguda da economia brasileira.”

Trabalhador rural

De fato, as regras do governo para o trabalhador rural serão mais duras. Os policiais civis, federais e os agentes penitenciários e socioeducativos vão se aposentar mais cedo do que professores e trabalhadores rurais, na reforma da Previdência apresentada pelo governo.

Para o ex-ministro a combinação de idade mínima de 60 anos mais 20 de contribuição ao trabalhador rural será uma barreira para esse segmento acessar a aposentadoria. “Se essa regra valesse hoje iria impossibilitar a aposentadoria de 90% dos trabalhadores rurais”, pontua.

Berzoini acredita que por mais que o projeto de lei dos militares seja enviado ao Congresso haverá pressão de setores organizados para a proposta não tramitar. “Sou daqueles que entende que militares tem peculiaridades, mas não justifica o grau de desequilíbrio em torno do sistema de pensões das forças armadas”, conclui.


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