Blog do Mouzar

10 de setembro de 2019, 22h53

Bah, tchê! E esse Ernesto?

No Blog do Mouzar: "O clã acredita que é possível e desejável uma ditadura aqui. Basta o apoio dos Estados Unidos, e o Trump seria simpatizante da ideia, desde que a ditadura fosse para manter uma relação de subordinação do Brasil aos EUA"

Foto: Reprodução/Facebook

Baixou em mim um espírito gaúcho… Ele me fez pensar em certas expressões gaúchas e relacionar essas expressões com pessoas.

Bah, tchê! é a expressão mais marcante. Tchê é o mesmo “che” que os argentinos e uruguaios (e também parte dos bolivianos e dos chilenos) usam com o sentido que nós usamos aqui a palavra “cara”, significando camarada, amigo, companheiro…

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Algumas pessoas atribuem a origem da expressão à língua guarani, em que xe é “eu” ou “meu”. Combina com o “meu” paulista.

Mas tem também uma versão que atribui a expressão a uma herança dos araucanos (também chamados de mapuches), povo indígena da Argentina e Chile, em cuja língua “che” significa “homem”. E mais: pode ser também originária do aimara ou quéchua, povos incas, em que “che” significa “gente”.

Enfim, “che”, dos hermanos, ou “tchê”, dos gaúchos, tem um sentido que pode-se dizer carinhoso.

Mas e o “bah”?

“Bah” exprime uma certa perplexidade, talvez um descontentamento. “Bah, tchê”. Seria como um paulistano da Mooca dizendo “orra, meu”, ou um outro falando meio admirado: “caramba, camarada” ou “o que é isso, companheiro”?

Segundo o espírito gaúcho que baixou em mim, “bah” é uma abreviação de “barbaridade”, palavra que exprime um certo espanto, ante, por exemplo, um comportamento típico de bárbaros.

Então, “bah, tchê” tem o “bah” de barbaridade e o “tchê” de amigo ou homem ou gente.

E o espírito gaúcho, acho que brincalhão, me falou que essa expressão pode ser usada só parcialmente, conforme o caso e a pessoa a quem se refere. E citou os Ernestos. Teve um que foi chamado de “Che” (sem o T inicial, porque era argentino). Um outro Ernesto, por sinal gaúcho, que entrou em cena atualmente é o “Bah”. Veio a público quando foi nomeado ministro das relações estratosféricas.

Enfim, dois Ernestos: o Che Guevara e o Bah Araújo.

E falando no Bah Araújo…

Entramos no assunto das relações estratosféricas, antigamente chamada Relações Exteriores.

Daí vem à lembrança a viagem dele aos Estados Unidos, acompanhando seu chefe, mas fazendo papel decorativo. Quem fez o papel de ministro, no caso, foi o filho do chefe, Eduardo.

E minhas lembranças começam por um irmão do Eduardo, o Carlos, dizendo que numa democracia é difícil fazer as reformas que sua turma quer. Ou seja: é preciso uma ditadura para fazer o que querem.

Depois, recuo no tempo e me lembro do próprio Eduardo dizendo que bastam um soldado e um cabo para fechar o STF. O que significa isso? Implantar uma ditadura não seria difícil.

Mais recentemente, o chefe do clã disse: “Ainda não levantei a borduna. Quando levantar, todo mundo vem atrás”. Ou seja: ele “ainda” não partiu pra porrada contra a oposição. “Quando” fizer isso, acredita que todo mundo (no caso, a turma dele) vai apoiar um golpe. Quer dizer: esse “quando” significa que ele pretende “levantar a borduna”.

E por que a insistência em querer colocar Eduardo Bolsonaro como embaixador em Washington?

Aí o espírito gaúcho que baixou em mim me chamou para um exercício de lógica, baseado nessas coisas: muita gente acha que é impossível hoje um golpe e implantação de uma ditadura no Brasil. A Comunidade Europeia, por exemplo, não aceitaria isso. Mas o clã citado acredita que é possível e desejável uma ditadura aqui. Basta o apoio dos Estados Unidos, e o Trump seria simpatizante da ideia, desde que a ditadura fosse para manter uma relação de subordinação do Brasil aos EUA.

Então, um embaixador com boas relações com Trump, e disposto a submeter o Brasil aos interesses gringos, seria essencial para garantir o apoio dele. E o resto do mundo que se dane!

Quem poderia fazer esse papel? Um embaixador de carreira? Até pode ser, pois o Bah Araújo é um exemplo de diplomata assim. Mas um filho é mais garantido, não?

Não duvido que a missão dele seja essa.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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