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23 de junho de 2011, 18h00

Battisti e a chiação italiana

Tenho acompanhado pelos jornais a polêmica sobre a não extradição de Cesare Battisti para a Itália. Acusado de ter praticado assassinatos políticos lá, ele foi condenado à prisão perpétua, fugiu do país, andou por vários lugares até parar no Brasil.

Aqui, foi preso e aguardou na prisão o pedido de extradição feito pelo governo italiano. O pedido foi negado e os italianos – não só o governo, mas até esportistas – transformaram a decisão brasileira numa grande ofensa.

Não sei se Battisti, que nega a autoria dos crimes, é culpado ou não.

Mas os italianos, principalmente o governo italiano, não têm razão de chiar tanto.

Digo isso me lembrando de um caso em que as posições dos países eram invertidas: o Brasil pedia a extradição de um criminoso condenado aqui e que estava refugiado na Itália, mas eles nem deram bola.

É o caso de Salvatore Cacciola, condenado a 13 anos de prisão.

Ele nem foi preso, ficou livre, leve e solto na Itália. Passou seis anos lá, sem que o governo italiano o deportasse para o Brasil.

Só foi preso quando resolveu dar uma fugidinha da Itália, para jogar nos cassinos de Mônaco. Lá, foi pego pela Interpol e depois de um bom tempo, mandado para cá.

A alegação era de que ele tinha cidadania italiana. Legal. Então, se os milhões de brasileiros descendentes de italianos conseguirem a cidadania italiana poderão cometer crimes à vontade e fugir para a Itália, que não serão presos.

Algumas pessoas poderão relativizar a gravidade do crime dele. Dirão que Cacciola não matou ninguém. Mas o princípio da lei é este?

E o caso de Ronald Biggs, o inglês que participou do assalto ao trem pagador na Itália e também se refugiou no Brasil? Ele teve filho aqui e as leis brasileiras não permitiam sua extradição, mas o caso também foi tratado como escândalo internacional. É sempre assim. Não estou defendendo nem Battisti nem Biggs nem ninguém, só que não concordo com esse comportamento dúbio.

O certo é que mesmo para muitos brasileiros os “do primeiro mundo” sempre têm razão. Por exemplo: os Estados Unidos podem revistar de forma humilhante brasileiros que entram no país deles, mas aqui não podemos fazer a mesma coisa. Consideram isso uma ofensa. Eles podem, nós não. Brasileiros gringófilos fazem beicinho, chiam e se sentem eles mesmos ofendidos.

Ora, a coisa tem que valer para os dois lados, ter igualdade de tratamento. Não somos menos independentes do que os outros.

E para terminar, aproveito para dizer: Berlusconi que se dane.


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