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26 de maio de 2019, 20h46

A situação de Bolsonaro é muito mais grave do que parece

Os alvos dos “patriotas” que usaram verde, amarelo e a bandeira dos EUA para desfilar foram Rodrigo Maia, o centrão, o STF, o MBL e o general Mourão.

Foto: Reprodução/Buzz Feed News

Após o sucesso das manifestações em defesa da educação no dia 15 de maio, Bolsonaro convocou sua tropa para ir às ruas neste dia 26. Havia muita expectativa acerca do tamanho delas, principalmente depois que movimentos como MBL e Vem Pra Rua, entre outros, decidiram não apoiar a decisão do presidente.

Se os atos não foram um mico total, o resultado geral é mais negativo do que positivo para Bolsonaro. Só no Rio de Janeiro e em São Paulo que as manifestações tiveram alguma relevância. E mesmo na avenida Paulista, local que concentrou mais gente, a frase que melhor define o que ocorreu é a do colunista da Folha, José Simão.

“Paulista! Apertando dá dois quarteirões! Muito vácuo, se fosse escola de samba já tava desclassificada”.

Os espaços em branco também foram grandes na orla de Copacabana. E imensos em Brasília, que talvez tenha sido o grande fiasco do dia. A esplanada ficou vazia.

Voltando ao ato da Paulista que tem sido apontado como um enorme sucesso pelos bolsonaristas, ele foi menor, por exemplo, que os convocados pelo PT para defender Dilma do impeachment. Isso quer dizer muita coisa, principalmente para um governo que ainda não completou cinco meses.

Dilma já era presidente há 4 anos quando os atos contra ela foram grandes. E o PT já estava à frente da presidência há 12 anos.

Algumas pessoas têm feito outra relação. Dizem que Bolsonaro se mostrou muito mais forte do que Fernando Collor que fez um pronunciamento à nação em 13 de agosto de 1992 pedindo para que as pessoas fossem às ruas no domingo seguinte usando verde e amarelo para defenderem seu governo. Naquele dia 16 o Brasil se vestiu de preto e tomou as ruas. O impeachment passou a ser questão de tempo.

De fato isso não ocorreu com Bolsonaro e ele teve gente para lhe defender, mas naquele momento Collor já tinha 1 ano e meio de governo. Bolsonaro não tem sequer meio.

O fato é que se a questão da conta do número de pessoas nas ruas é importante e não pode ser ignorada, há uma outra conta que talvez seja mais relevante e que está sendo pouco debatida. A conta que o pessoal que foi alvo da tropa de Bolsonaro está fazendo hoje.

Os alvos dos “patriotas” que usaram verde, amarelo e a bandeira dos EUA para desfilar foram Rodrigo Maia, o centrão, o STF, o MBL e o general Mourão.

Se quem ataca às vezes esquece, quem é atacado costuma anotar a agressão.

Ou seja, os alvos de hoje estão putos e vão querer dar o troco amanhã.

E se a situação de Bolsonaro não está fácil no Congresso ela tende a ficar muito pior a partir de hoje. Consequência direta é que sem o Congresso um governo que ainda tem três anos e meio de mandato não pode fazer muita coisa.

O país fica instável e os investimentos tendem a não voltar. Com a ampliação da crise a paciência daqueles que não são seus eleitores fundamentalistas vai acabando. Nesta toada não demorará muito para que sua base volte a ser algo entre 15% e 20%, que é o seu verdadeiro eleitorado. Aquele que lhe prometia voto antes da facada.

Se Bolsonaro voltar a este patamar os que foram alvos dele hoje vão comer o prato frio da vingança. E aí o atual presidente vai perceber com clareza que definitivamente não foi uma boa ideia para o governo convocar as manifestações de hoje.


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