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04 de setembro de 2019, 09h41

Ainda sobre a entrevista do Glenn Greenwald no Roda Viva…

Um diálogo com as postagens de Daniela Lima e Kennedy Alencar, porque senão se pode debater jornalismo é melhor colocar hackers para fazê-lo

Glenn Greenwald no Roda Viva (Reprodução)

A entrevista com Glenn Greenwald, do The Intercept, foi um acerto editorial da nova equipe conduzida pela jornalista e âncora Daniela Lima. Ponto pra ela ela e para os que participaram da decisão.

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Por algum tempo o programa havia perdido este viço. Estava enfadonho, entre outras coisas, porque a seleção dos entrevistados era burocrática e somente politica. O jornalismo parece ter voltado a contar desde que Daniela Lima assumiu a condução do programa. Ótimo.

Dito isto, não pega bem falar certas coisas entre colegas, mas é necessário registrar que a bancada de entrevistadores não estava à altura do entrevistado.

E com o transcorrer da entrevista isso foi ficando cada vez mais claro. Em alguns momentos a entrevista parecia um jogo entre o juvenil da Portuguesa Santista e o time principal do Barcelona.

O entrevistado deu um show também por isso. E algumas pessoas passaram a dizer que a entrevista foi boa porque Glenn foi bem. Ou que quem achou que a entrevista não foi tão boa era porque queria perguntas laudatórias ao entrevistado.

Uma entrevista é um jogo. Onde o jornalista que se preze está sempre em busca de revelar algo novo para o público. Ele não precisa ser rude para isso e nem sabujo. Não deve implorar por uma declaração ou muito menos brigar com o entrevistado para se mostrar independente.

Assim sendo, necessariamente quem não gostou de algumas perguntas do programa com Glenn e criticou a baixa qualidade de alguns entrevistadores não estava preocupado com adulações. O buraco era mais em cima.

E é muito engraçado que aqueles que vivem de acusar a polarização como a razão de todos os problemas do país, tenham jogado as críticas todas para a polarização. Sem tentar entendê-las.

A tese da jornalista Daniela Lima, em seu Twitter, é a de que se de um lado muitos criticaram a escolha de Gleen como entrevistado e outros não gostaram de algumas perguntas isso significa que “desagradamos a ambos”. Ou seja, isso seria atestado de bom jornalismo. Não é, Daniela.

Nem o bom e nem o mau jornalismo devem ser medidos por aplausos ou vaias. Pela unanimidade e nem pelos conflitos que produzem.

Como exemplo, muitos colegas acharam que estavam fazendo bom jornalismo ao publicar sem filtro vazamentos seletivos da Lava Jato. Alguns foram premiados por isso. Outros estão recebendo salários mais polpudos. Mas o fato é que estavam sendo instrumentos de um partido político clandestino que operava por dentro do Estado. E que agia de forma criminosa, como pontuou Gleen por alguma vezes no programa.

Mas na mesma thread sobre o programa em que defende essa tese do “desagradamos a ambos”, Daniela Lima defende outra muito importante. A de que só vai levar jornalistas para a bancada enquanto estiver na condição do programa. Faz bem. É um programa de entrevistas e não de papo entre especialistas.

E outra coisa importante é um programa feito numa TV pública. O que deveria levar em consideração a formação de uma bancada mais plural possível.

Por fim, registro uma diferença em relação a um comentário do Kennedy Alencar que disse que não ia dar opinião por não ser bedel de perguntas de jornalistas e que cada um faz o seu trabalho como quer.

É uma frase que costuma ser dita no senso comum de outro jeito: “cada um, cada um”. Costuma encerrar discussões em mesas de bar ou encontros de família. Agrada. Mas não é tão inteligente quanto parece.

Debater um programa de entrevistas numa TV pública, com um premiado jornalista e que debateu jornalismo é muito importante. E não deveria ser algo que produzisse tantos melindres. Como, aliás, não causa em nenhuma outra parte do mundo. Até porque senão era só colocar hackers para debater a questão, talkey?


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