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27 de novembro de 2016, 13h40

Estou desesperado: o que Temer disse sem dizer numa patética coletiva

A crise avançou para o quarto andar do Palácio de forma avassaladora e o semblante de Temer durante a coletiva não deixou dúvida alguma a respeito.

por Renato Rovai

Ao convocar os presidentes da Câmara e do Senado para ladeá-lo na coletiva de imprensa e ficar se explicando sobre as gravações do ex-ministro Calero, Temer passou recibo. Ou no populacho, peidou.

A crise avançou para o quarto andar do Palácio de forma avassaladora e o semblante de Temer durante a coletiva não deixou dúvida alguma a respeito. Ele estava tão preocupado que aquela postura soberana que adquiriu durante o processo de impeachment e que se ainda se mantinha intacta no Roda Viva, foi para baixo do debate.

Era um Temer mais contido, quase professoral, com olhar retraído que se explicava. Era um Temer muito preocupado com o que virá e tentando barrar a avalanche que pode derrubá-lo do cargo.

Temer só fugiu do script, na melhor pergunta do encontro, realizada por um jornalista da BBC, que quis saber o óbvio: por que um presidente da República teria de mediar um desencontro entre dois ministros que tinham relação com apenas o interesse pessoal de um deles. Neste momento, Temer tentou enquadrar a jornalista.

Ele pediu que se estivesse gravando, quando a entrevista era transmitida ao vivo, deveria ouvir sua resposta de novo.

Que ele não havia dito que mediava um conflito de ministros, mas de dois órgãos do governo, o Iphan da Bahia e o Iphan federal.

Se estivesse na coletiva, não perderia a piada. Perguntaria ao Temer se ele me permitia gargalhar ali mesmo ou se preferia que saísse pra poder gargalhar mais à vontade.

A resposta confirmou o óbvio, Temer agora busca qualquer pedaço de madeira num mar revolto para se salvar. Está completamente desnorteado.

E o fato de Rodrigo Maia e Renan Calheiros terem aceitado acompanhá-lo, mostra que o desespero é coletivo.

A lista da Odebrechet já os colocou no meio do tiroteio. E se Temer vier a cair no meio desse escândalo, o que “se vayan todos” ganhará as ruas de maneira irreversível. E agora ou em março do ano que vem umas eleições gerais pode acabar sendo a única saída para o país.

Mesmo que Temer não cai este ano, as eleições indiretas parecem a cada dia ser a solução menos possível. Ela teria imensa oposição das ruas.


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