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08 de dezembro de 2011, 13h39

Griselda é a Globo tentando seduzir a Classe C – parte 2

Renato Meirelles, do DataPopular, disse na palestra da Altercom que a Globo já percebeu o poder da Classe C e que o personagem da atriz Lilia Cabral, Griselda, encarna os valores desse novo segmento social.

Não estou assistindo Fina Estampa, mas ontem fiz questão de vê-la junto com uma “especialista” no tema que me explicou quem era a Griselda. Personagem, que, aliás, já se tornou rico ganhando na loteria (a Globo não muda) e agora mora no mesmo prédio da personagem da Cristiane Torloni, a ricaça bandida do folhetim de Agnaldo Silva.

Mas por que será que a Globo escolheu uma mulher batalhadora da nova Classe C, que conseguiu colocar seu filho para estudar medicina de personagem central no seu horário nobre?

Na Classe C o protagonismo da mulher é superior ao dos homens e muito superior ao das mulheres da elite. Elas têm mais escolaridade e são decisivas nas opções da família, segundo os próprios homens entrevistados.

As mulheres da Classe C mandam mais. O que é uma ótima notícia. Só que em muitos casos ela seguram a onda sozinha. Como acontece na novela, onde Griselda teria sustentado os filhos sem a contribuição do marido que a abandonou com as crianças. Mas há outros dados surpreendentes no estudo da DataPopular sobre a Classe C.

Quem acha que Twitter e Facebook é plataforma de riquinho, está muito enganado. Hoje a Classe C participa com 56,5% do público do Facebook no Brasil e com 55,3% do público do Twitter.

Os negros da Classe C também estão assumindo um outro papel social.

Nos últimos 10 anos a renda dos negros cresceu 105,6% neste segmento. A dos não-negros, 27,8%. Só em 2011, os negros vão consumir 673 bilhões de reais. Eles também já são metade da população da classe C, 49,1%. Na classe A, são ainda apenas 15,2%. E na classe B, 23,4%.

Os jovens também são outro público estratégico deste segmento social.

Outro dado que impressiona é que na elite o jovem ganha em média 11% do salário do seu pai. Já na Classe C, essa relação é de 53% do valor. Ou seja, o jovem da Classe C por ganhar relativamente mais, acaba tendo mais voz na vida familiar.

Aliás, na Classe A apenas 10% dos jovens tem mais estudos que seus pais. Na Classe C, esse índice é de 68%.

Mas é na questão dos valores que o bicho pega.

O jovem de Classe A quer ter aquele tênis que ninguém do seu relacionamento tem. Quer ser especial, diferente.

Já o da Classe C, quer ter aquele tênis que todo mundo do seu bairro tem. Quer ser igual, quer estar incluído.

Os moradores de Classe C também valorizam o relacionamento comunitário. 66% são amigos dos vizinhos, contra 21% da elite, que prefere evitar esse tipo de “invasão”.

A brasilidade também é outra diferença. Na elite, apenas 25% comprariam algo por ser brasileiro. Já na Classe C esse número é de 62%.

A Globo, segundo o Renato Meirelles, tem se dedicado a entender a alma desse novo brasileiro e por isso colocou como personagem central de sua trama do horário nobre a tal Griselda. Para fazer com que esse público se encontre ali.

Se aqueles que querem democratizar a comunicação não buscarem fazer o mesmo. A Globo vai conquistar esse novo brasileiro que não é tão preconceituoso quanto a elite tradicional. Mas pode vir a sê-lo.

Esse novo brasileiro é que vai decidir qual vai ser o Brasil do futuro. Se o de uma gente que só quer consumir ou de um povo onde os valores de solidariedade, justiça, amizade etc serão fundamentais.

É na Classe C e naqueles que virão a ampliar a Classe C nos próximos anos que está sendo jogado o jogo do futuro.

Leia também o artigo: Classe C prefere Geise Arruda à Gisele Bündchen


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