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18 de setembro de 2013, 19h42

O voto de Celso de Melo me fez lembrar de uma matéria de Veja contra Gushiken

Uma reportagem de Veja assinada por Diego Escosteguy tratou Gushiken como bandido, sem lhe dar o direito de presunção de inocência.

No último dia 13 de setembro faleceu o ex-ministro Luiz Gushiken. China, como era conhecido pelos amigos próximos. morreu depois de ficar anos se defendendo das graves acusações que recebeu em meio a um processo político chamado mensalão. Já escrevi aqui sobre Gushiken, mas o momento é bom para lembrar de uma reportagem produzida pela revista Veja quando da ocasião de sua saída da Secretaria de Comunicações, em novembro de 2006, intitulada O Adeus do China.

Na matéria, o “eminente” jornalista Diego Escosteguy transcreve o seguinte trecho da carta de despedida de Gushiken: “Na voragem das denúncias, abalou-se um dos pilares do Estado de Direito, o da presunção de inocência, uma vez que a mera acusação foi transformada no equivalente à prova de culpa”.

Escosteguy, que se tornou sinônimo de reportagens que quase nunca conseguem comprovar suas teses, chama de “pomposa” a carta de Gushiken e questiona se as acusações contra o ex-ministro seriam mesmo somente meras acusações, colocando inclusive a expressão entre aspas toda vez que a menciona no texto.

Gushiken foi inocentado e morreu. E Escosteguy não escreveu uma linha acerca das suas ilações irresponsáveis. Certa mídia e certos jornalistas se acham no direito de sair por aí acusando e esculhambando sem provas. E sem ter que se justificar pelos seus possíveis erros.

Neste momento em que o ministro Celso de Mello lê o voto que decide pela validade dos embargos infringentes na Ação Penal 470, o exemplo de Gushiken é mais do que pertinente. Não por ele, mas porque nesta “voragem das denúncias” muitos outros estão tendo que se defender sem ter o direito da presunção de inocência. E se tornaram vítimas da irresponsabilidade de certos jornalistas e de certos veículos de comunicação. De uma campanha insidiosa para que as suas condenações fossem exemplares. Mesmo que as provas não fossem assim tão claras.

A possibilidade de se fazer novo julgamento para as decisões que tiveram quatro votos contrários à tese vencedora faz bem à democracia. Faria bem à democracia também que certos jornalistas e veículos tivessem mais responsabilidade. E que se redimissem quando pegos em acusações descabidas e sem provas. Mas na mídia não há embargo infringente. E Gushiken morreu sem o pedido de desculpas da Veja e do tal Diego.


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