Blog do Rovai

16 de fevereiro de 2018, 11h50

O que significa uma intervenção militar em 10 pontos

Em 10 pontos, uma lista para você entender o significado dessa intervenção militar no Estado do Rio de Janeiro.

É importante ser mais claro sobre os significados dessa intervenção militar no Rio de Janeiro. A primeira delas acabei de falar na live que você pode assistir aqui e que define todo o resto. Não é uma intervenção na segurança pública apenas. É em tudo. Quem vai mandar no Estado é o general Walter Souza Braga Netto. Vou buscar esclarecer isso em alguns pontos.

1) O general é quem vai garantir a segurança no entorno das escolas. Se ele considerar que é conveniente colocar soldados e militares dentro das escolas ele poderá fazê-lo. Porque é ele quem manda.

2) Se o responsável pela segurança da escola for informado que um professor de história fez críticas ao regime militar e disse que a atual intervenção no Rio de Janeiro é a mesma coisa ele pode mandar prendê-lo por “associação ao tráfico de drogas”.

3) O general é quem vai garantir a segurança no entorno dos postos médicos. Se ele considerar que é conveniente colocar soldados e militares dentro dos postos médicos ele pode fazê-lo.

4) Se o responsável pela segurança do posto médico for informado que no local um dos agentes de saúde critica a ação dos militares, ele pode ser punido ou preso também pelo mesmo motivo anterior.

5) O general é quem vai garantir a segurança das pessoas na noite, se ele achar conveniente decretar toque de recolher na Lapa às 22h fechando todos os bares e restaurantes ele pode fazê-lo. Inclusive para diminuir a ação do tráfico de drogas.

6) O general é quem vai garantir a segurança nas ruas da cidade, se a CUT e o MST marcarem manifestações e ele disser que não, ele pode colocar as tropas nas ruas para prender os inimigos da ordem. Que estão fazendo o jogo dos traficantes.

7) O general é quem vai garantir a segurança nas favelas. Se ele quiser impedir a entrada e saída de pessoas em alguma comunidade por dias para fazer um pente fino no local ele pode fazê-lo. Porque muitos estão associados ao tráfico.

8) O general é quem garante a segurança das pessoas nas igrejas. Se ele estiver incomodado com o discurso de um padre ou pastor, ele pode levá-lo para depor e acusá-lo de qualquer coisa, inclusive de associação ao tráfico.

9) O general é quem garante a ordem geral e irrestrita, se ele achar que um blogueiro está infringindo leis contra essa tal ordem pode mandar prendê-lo, também por associação ao tráfico.

10) Ou seja, quando estamos sob uma intervenção militar quem manda é o general. Ou vários deles. E ele escolhe um inimigo. Pode ser a Argentina ou a associação ao tráfico. E se não funcionar ele escolhe outro inimigo. Porque as Forças Armadas precisam de inimigos para continuar mandando. Entregar o poder civil às Forças Armadas pode começar aos poucos, mas dificilmente volta aos poucos e de forma rápida.

PS: Se quiser saber mais sobre o que penso da intervenção militar no Rio de Janeiro, fiz um outro texto tratando do assunto.

 


Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum