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04 de julho de 2018, 10h29

Poder 360 e a “fake news” de uma pesquisa que não tem valor científico

O Poder 360 é um veículo que não tem publicidade, mas que realiza encontros de representantes da Shell com a presidenta da STF, Cármen Lúcia

Hoje, quarta-feira (4), o Poder 360 lança mais uma pesquisa pra fazer sua campanha de site que cobre política e vender um discurso à praça.

Antes de mais nada, permitam-me apresentar o Poder 360. É um veículo que não tem publicidade, mas que realiza encontros de representantes da Shell com a presidenta da STF, Cármen Lúcia. No encontro, a convidada garantiu que Lula não seria candidato.

A pesquisa de hoje, de ontem e de amanhã do Poder 360 não tem valor de face, como se diz no popular. Este blogueiro já disse isso no primeiro levantamento que veio a público.

Agora quem disse isso foram os diretores do Datafolha, Mauro Paulino, e do Ibope, Márcia Cavallari, que chamaram de enquetes o que o site faz, no encontro da Abraji.

O Datapoder não vai a campo com pesquisadores. Ele usa o método de robôs fazendo ligações telefônicas. Ao receber a chamada o entrevistado tem que ficar apertando teclas pra responder sim ou não a um grande questionário. Isso, segundo especialistas, acaba excluindo os eleitores mais simples e com menor escolaridade da pesquisa e ao mesmo tempo aqueles que votariam num candidato, mas não estão tão engajados politicamente para ficar apertando uma imensidão de teclas para responder a um longo questionário.

Mas o que o Poder 360 faz não é só substituir os métodos de pesquisa que produziriam um resultado mais fiel por um método que pode gerar distorção.

Ele produz uma distorção a partir do método.

Na essência, as pesquisas/enquetes do Poder 360 são o que se convencionou chamar desde a eleição de Trump de fake news. Elas produzem um resultado a partir de pressupostos falsos. E se tornam memes na luta política.

Hoje, o site apresenta mais um desses seus levantamentos. E além de todos os erros metodológicos, exclui Lula como candidato. Eu acho que Lula não será candidato, porque o golpe não fecha se a sua candidatura não for impedida.

Mas ela ainda não foi impugnada pela Justiça Eleitoral e o PT diz que vai registrá-la. O leitor acha que um instituto sério tiraria um candidato das simulações eleitorais com este cenário?

Pois é, o DataPoder não é sério.

E produz fake news com base numa pesquisa dirigida e paga sabe-se lá por quem. Ou será, que os encontros com empresários da Cármen Lúcia com a Shell explicam algo?


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